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Em três meses, Brasil supera marca de 13 milhões de desempregados

Apenas no trimestre concluído em fevereiro, o País passou a ter 900 mil desempregados a mais; o índice de desemprego subiu de 11,6% para 12,4% em relação ao trimestre anterior.
:: Rafael Noronha29 de março de 2019 11:55

Em três meses, Brasil supera marca de 13 milhões de desempregados

:: Rafael Noronha29 de março de 2019

Um dia após o Banco Central revisar a expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2019 de 2,4% para 2% e na mesma semana em que o Índice de Confiança do Empresário (ICEI-Construção) recuou pelo segundo mês consecutivo mostrando menor disposição do empresariado para investimentos, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (29), mostra que o número de desempregados rompeu a casa de 13 milhões de pessoas.

Apenas no trimestre concluído em fevereiro, o País passou a ter 900 mil desempregados a mais. O índice de desemprego subiu de 11,6% para 12,4% em relação ao trimestre anterior.

Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em fevereiro, um total de 65,7 milhões de pessoas não estavam trabalhando nem buscando uma vaga. Esse número representa uma alta de 1,2% de brasileiros nessas condições em relação ao mesmo trimestre de 2018. É um número recorde de pessoas fora da força de trabalho. O número de pessoas desalentadas também é recorde na série histórica, atingindo 4,9 milhões de pessoas.

O número reflete o inverso do que foi vendido por Michel Temer e seus apoiadores na defesa da aprovação da reforma trabalhista que precarizou a relação de trabalho e descaracterizou a CLT. O cenário pode piorar ainda mais com a carteira verde e amarela proposta por Bolsonaro e Paulo Guedes que limita ainda mais os direitos dos trabalhadores, além da manutenção do congelamento dos investimentos públicos imposto pela emenda constitucional 95 (teto de gastos).

Para piorar, Mínimo sem aumento real
De acordo com informações que circulam na imprensa, Jair Bolsonaro deve enviar ao Congresso o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) sem a previsão de reajuste real do salário mínimo.

Na última terça-feira (26), o vice-presidente Hamilton Mourão criticou a política de reajuste do salário mínimo com ganhos reais acima da inflação, criada pelo ex-presidente Lula, defendendo a sua modificação.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), criticou a postura do atual governo afirmando que “sem dó”, a valorização permanente do salário mínimo será “jogada no lixo” por Bolsonaro.

[blockquote align=”none” author=”Senador Humberto Lucena (PE), líder da Bancada do PT no Senado Federal”]“O governo da destruição vai propor, agora, a redução do reajuste do salário mínimo. Eles não querem que os milhões de brasileiros que recebem R$ 998 por mês tenham um aumento real e justo do valor e estão jogando a política permanente de valorização real do salário mínimo, criada pelo governo Lula, no lixo”[/blockquote]

Reforma da Previdência
A aprovação da reforma da previdência (PEC 6/2019) pode piorar ainda mais o cenário econômico. O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) movimenta, de acordo com o economista Eduardo Moreira, mais recursos que o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em cerca de 4 mil cidades brasileiras, reduzindo o índice de pobreza na terceira idade para menos de 10%. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detectou que se não fosse o RGPS, o índice de pobreza entre os mais velhos seria de 65%.

 

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