Extinguir CPI da Petrobras é litigância de má-fé, diz Pimentel

Relator da CPI da Petrobras reage à nova pressão da oposição sobre destino dos inquéritos sobre a Petrobras, que agora querem absorção parcial de uma pela outra

:: Da redação3 de junho de 2014 00:28

Extinguir CPI da Petrobras é litigância de má-fé, diz Pimentel

:: Da redação3 de junho de 2014

O senador José Pimentel (PT-CE), em entrevista aos jornalistas após a reunião da CPI mista nesta segunda-feira (2), observou que é “litigância de má-fé” extinguir os trabalhos da CPI da Petrobras em funcionamento no Senado há quatro semanas, como defendeu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Isto, porque o Senado está cumprindo uma determinação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) provocada justamente pelos partidos da oposição – PSDB-DEM. “A instalação (da CPI da Petrobras) é resultado de uma decisão judicial. Os autores que hoje estão pedindo seu encerramento deveriam ir ao STF e desistir do mandado de segurança que determinou a sua instalação. Do contrário, é litigância de má-fé”, afirmou.

Pouco antes, com a falta de seriedade que vem marcando o comportamento da oposição no trato com a Petrobras e sua história, o senador tucano, em entrevista para dez redes de televisão, defendeu, sem cerimônia, a extinção da CPI da Petrobras em funcionamento no Senado há quatro semanas, como se fosse usual desrespeitar uma decisão do STF. Decisão motivada por ação do mesmo PSDB, mas agora valor porque, segundo o senador “os deputados gostariam de investigar a empresa”.

Nos telejornais desta segunda-feira e nos jornais desta terça-feira, não será uma surpresa ver suas colocações.

Mantra

Um repórter perguntou a Pimentel se a CPI da Petrobras realmente vai continuar – aliás, pergunta que vem sido insistentemente repetida pela imprensa desde a semana passada. O senador petista, mais uma vez, explicou que a decisão do Supremo Tribunal Federal determina o funcionamento da comissão no Senado. “Qualquer medida que não seja fruto de uma nova decisão do Supremo é litigância de má-fé e eu não faço isso”, repetiu.

Pimentel disse aos jornalistas que o caminho da CPI da Petrobras é seguir rigidamente o cronograma de trabalho. Na manhã desta terça-feira (3), por exemplo, dois administradores da empresa prestarão depoimentos.

Uma repórter, por sua vez, perguntou o motivo de a CPI da Petrobras tomar o depoimento do doleiro Alberto Yousseff mais adiante, ao contrário do que pede a oposição na CPI mista que quer ouvi-lo já. Pimentel, pacientemente, explicou que a documentação com a quebra do sigilo efetuado pela Justiça Federal do Paraná, no âmbito das investigações da Operação Lava-Jato, já foi requerido ao Supremo Tribunal Federal e à própria Justiça paranaense. “Eu sou uma pessoa técnica nesses processos. Por isso entendo que é preciso esperar a chegada dos documentos para que possamos ter uma audiência mais produtiva e não apenas uma espécie de jogar para a plateia. E isso eu não faço”, ponderou.

Sobre as ausências dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), que, na semana passada, defendia que a CPI mista funcionasse todos os dias da semana, e também do líder do PSDB Aloysio Nunes (SP), que, em entrevistas, já afirmou que o objetivo da oposição com as CPIs é “ver sangrar a presidenta Dilma”, Humberto Costa lamentou. “É mais uma demonstração que a preocupação da oposição não é fazer investigação, é transformar a CPI num palco de debate político, num palco de política eleitoral que vai terminar por comprometer o objetivo da CPI que é o de investigar e esclarecer o tema”, disse ele.

Marcello Antunes

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