Empregos & soberania

Sul amplia luta contra destruição da indústria naval brasileira

Liderados pelo presidente da Assembléia do RS, deputado Edegar Pretto (PT-RS), representates de diversos partidos, dirigentes empresariais e sindicalistas pedem hoje, em Brasília, reunião com autoridades do governo para defender a viabilidade do setor
:: Marcello Antunes14 de março de 2017 00:28

Sul amplia luta contra destruição da indústria naval brasileira

:: Marcello Antunes14 de março de 2017

Uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (13) em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, reuniu as principais lideranças políticas, empresariais e sindicais da região e do estado para defender uma saída para a crise do polo naval local, um dos mais importantes do país. De acordo com o recente estudo do Dieese, o polo naval de Rio Grande é o segundo polo mais afetado, depois do Rio de Janeiro, pela Operação Lava Jato, redução dos percentuais de conteúdo nacional e favorecimento das empresas estrangeiras.

A audiência contou com a presença de 1.200 pessoas, ente elas representantes da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), da federação estadual e de de sindicatos de metalúrgicos, de outras federações de trabalhadores; representantes do setor hoteleiro e de diversas áreas econômicas que cresceram por conta da indústria naval. Em recente pronunciamento, o senador gaúcho, Paulo Paim (PT-RS), alertou para a demissão de 3.500 trabalhadores somente no estaleiro da Engevix em dezembro do ano passado.

“A decisão de pedir uma reunião com o governo tem por objetivo defender os empregos e a economia da região, que cresceu graças ao fortalecimento da indústria naval do Rio Grande do Sul, mas que sofre com a paralisação das obras e as sucessivas demissões” 

Deputado Edegar Pretto, presidente da ALERGS

Como um dos resultados do debate, o presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado petista Edegar Pretto, estará hoje em Brasília junto de outros deputados estaduais, de diversos partidos, para protocolar pedido de audiência com o presidente interino Michel Temer, com o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, e com Pedro Parente, presidente da Petrobras, para mostrar a viabilidade econômica, financeira e estratégica de manter a construção da plataforma P-71 no Polo Naval de Rio Grande.

“A decisão de pedir uma reunião com o governo tem por objetivo defender os empregos e a economia da região, que cresceu graças ao fortalecimento da indústria naval do Rio Grande do Sul, mas que sofre com a paralisação das obras e as sucessivas demissões”, disse Edegar Pretto.

“O custo para terminar essa plataforma é de 213 milhões de dólares. Paralisar esse projeto e iniciar um do zero, na China, custaria 400 milhões de dólares no mínimo”

Alexandre Lindenmeyer, prefeito de Rio Grande (RS)

O prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer, disse que 50% da plataforma P-71 está pronta e no estaleiro responsável pela construção (Ecovix) há 147 mil toneladas de aço suficientes para terminar o projeto. “O custo para terminar essa plataforma é de 213 milhões de dólares. Paralisar esse projeto e iniciar um do zero, na China, custaria 400 milhões de dólares no mínimo”, explicou o prefeito. “Não há lugar no mundo mais barato para finalizar uma plataforma como esta”, completou.

De imediato, a retomada das obras significaria a contratação direta de 2.800 funcionários. A Ecovix, que está em recuperação judicial sob responsabilidade do Banco Brasil Plural – faz parte do grupo Engevix –, demitiu em dezembro do ano passado 3.200 funcionários em dezembro e manteve 200 funcionários só da área de manutenção. No auge da indústria naval, por conta da política de conteúdo nacional, o polo naval de Rio Grande chegou a ter mais de 13 mil funcionários.

“É por essa razão que temos de mostrar para o governo a importância da indústria naval brasileira. Precisamos recuperar esse setor e o momento é emergencial”

Henrique Fontana, deputado Federal (PT-RS)

No município vizinho, São José, o estaleiro QGI toca as obras modulares das plataformar P-75 e P-77. Aconteceu que o horizonte para os funcionários é de 12 meses, o tempo para encerrar o cronograma de conclusão desses módulos. Sem novas encomendas, a situação pode piorar.

“É por essa razão que temos de mostrar para o governo a importância da indústria naval brasileira. Precisamos recuperar esse setor e o momento é emergencial. A Ecovix, que está em recuperação judicial, tem interesse na retomada das obras o quanto antes, até porque poderá pagar seus credores. Sem a retomada das obras, o prejuízo será em dobro, para o País, para a Petrobras, que vai atrasar a produção esperada pela P-71 e para a economia municipal, estadual e da União”, observou o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

“Os representantes de todos os setores estão unidos em defesa do polo naval”

Enio dos Santos, presidente Federação dos Sindicatos dos Metalúrgicos do RS

O deputado vai acompanhar Edegar Pretto nas audiências em Brasília nesta terça-feira (14) e continuará colhendo assinaturas para a formalização da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval Brasileira. O presidente da Federação dos Sindicatos dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, Enio Santos, afirmou que é preocupante a situação dos trabalhadores com o puro e simples encerramento das atividades do polo naval. “Os representantes de todos os setores estão unidos em defesa do polo naval”, disse ele.

A P-71 é uma plataforma da categoria FPSO (Floating Production Storage and Offloading), ou seja, é um navio flutuante que segue até o bloco exploratório. Lá, ancorado, em alto mar, produz petróleo, armazena, processa e descarrega petróleo e gás para os navios-tanques, podendo deslocar-se para vários poços do bloco.

A indústria naval de Rio Grande já entregou quatro plataformas encomendadas pela Petrobras, a P-53, 55, 58 e 63, todas construídas pelo estaleiro QGI. Foram entregues, também, os cascos da P-66 e 67, do estaleiro Rio Grande, administrado pela Ecovix. A importância da indústria naval é tão grande que em 2013 teve mais de 24 mil trabalhadores diretos só em Rio Grande. Hoje são pouco mais de 3 mil.

Reprodução autorizada mediante citação do site PT no Senado

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