Gleisi afirma que austeridade trará sofrimento ao povo brasileiro

:: Rafael Noronha17 de novembro de 2016 18:28

Gleisi afirma que austeridade trará sofrimento ao povo brasileiro

:: Rafael Noronha17 de novembro de 2016

Foto: Alessandro DantasRafael Noronha

17 de novembro de 2016 | 16h22

O Senado iniciou, nesta quinta-feira (17), a discussão em plenário da proposta de emenda à Constituição (PEC) 55/2016, que prevê o congelamento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos. Antes do debate, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) pediu aos colegas que não votem a favor da proposta sem conhecer o seu teor e o impacto na vida dos brasileiros.

“Eu tenho chamado [a proposta] de PEC da Crueldade. Não posso dar outro nome a essa medida do governo Temer para tentar resolver o problema da economia brasileira. Aliás, [Temer] disse hoje aos jornais que a recessão, para ser combatida, precisa de medidas amargas”, lamentou.

A senadora ainda comemorou uma medida alvissareira adotada pela Comunidade Europeia. Segundo Gleisi, o bloco europeu está abandonando as medidas de austeridade fiscal como forma de combate à crise econômica e fiscal que o continente enfrenta.

“Esse é o lado positivo da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Como ele anunciou uma política expansionista, a Europa logo viu que não resolveria seus problemas sem a adoção de novas medidas”, explicou.

O presidente eleito dos Estados Unidos propôs o estímulo de US$ 1 trilhão para economia e, de acordo com a senadora, o simples anúncio de tal medida já causou uma “formidável oscilação dos mercados”. A Europa também anunciou, ontem, a possibilidade de expansão econômica no valor de €50 bilhões. 

“Não é o estimulo tão sonhado pelos keynesianos, aqueles que pensam que o Estado tem de investir nos momentos de crise econômica. Mas, com certeza, é um impacto na austeridade tão recomendada pela comunidade europeia e que não deu certo”, disse.

A senadora alertou que, com a possibilidade de aprovação da PEC 55, o Brasil estará se colocando na contramão do mundo. “Senadores, abram os olhos. Não é possível que façamos a discussão com um argumento tão leviano de quem temos que fazer economia para recuperar o crescimento do Brasil”, disse. “Se procedesse, a Europa não tomaria uma decisão dessas”, emendou. 

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