Alessandro Dantas

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior afirmou que o Brasil esteve diante de um risco iminente de ruptura institucional após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o militar, que comandava a Aeronáutica naquele período, relatou que o então presidente pressionou os comandantes das Forças Armadas a apoiar uma iniciativa para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração foi repercutida pelo senador Humberto Costa (PT-PE) nas redes sociais. “O ex-comandante da Força Aérea Carlos de Almeida Baptista Júnior, que liderou a FAB no governo Bolsonaro, contou que, no fim de 2022, o hoje presidiário buscava convencer os comandantes das Forças Armadas a embarcar num golpe e reverter a vitória de Lula nas eleições de outubro”, afirmou Humberto.
Baptista Júnior relatou ainda que uma de suas principais preocupações era a possibilidade de uma ruptura entre as próprias tropas. Segundo ele, uma eventual adesão de parte dos militares a uma tentativa de golpe poderia provocar confrontos.
O militar afirmou que ele e o então comandante do Exército, general Freire Gomes, resistiram às pressões e não aceitaram participar de uma ruptura da ordem constitucional.
O relato ganha relevância por partir de quem estava no comando da FAB durante o governo Bolsonaro e participou das discussões realizadas pela cúpula das Forças Armadas naquele período.
A declaração, segundo Humberto, evidencia a dimensão da ameaça enfrentada pelo país após as eleições de 2022 e reforça a importância da defesa do Estado Democrático de Direito.



