Humberto Costa: “o futuro é promissor”

:: Da redação23 de novembro de 2011 19:03

Humberto Costa: “o futuro é promissor”

:: Da redação23 de novembro de 2011
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco/PT – PE. Pela Liderança. Sem revisão do orador.) – Srª Presidenta, Srªs Senadoras, Srs. Senadores, venho à tribuna para lembrar da importância do diálogo e da política para superar momentos de crise. Hoje, o mundo assiste à deterioração dos sinais da atividade econômica na Europa e nos Estados Unidos.
A economia mundial mostra sinais preocupantes.
A Europa vive uma situação de incertezas, com parte dos líderes políticos sem saber exatamente o que fazer. Alguns mantêm-se agarrados aos dogmas liberais, no discurso de austeridade a qualquer custo. O clima no Velho Mundo é desolador. Basta ver o nível de frustração da maioria da população, submetida às incertezas do desemprego.
Nos Estados Unidos, a falta de diálogo entre governo e oposição -democratas e republicanos – traz riscos importantes para o futuro. No Congresso americano, o “supercomitê” para redução de gastos do governo não consegue chegar a um entendimento para diminuir a dívida pública. Incumbido de identificar fontes de receita e diminuir despesas, no valor de US$ 1,2 trilhão, entre 2013 e 2021, o supercomitê falhou.
O agravamento da crise econômica no mundo é real. Estamos quase revivendo o que aconteceu em 2008, com a contração da economia e a escassez de crédito.
Como disse hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em audiência pública na Câmara dos Deputados, a cada dia a situação fica mais complicada. E por quê? Os problemas na União Européia e nos Estados Unidos não se resolvem.
Países da zona do Euro estão endividados, as taxas de crescimento permanecem baixas e o desemprego segue elevado. Pior: falta diálogo. Falta política.
O jornal Wall Street Journal traz reportagem mostrando que a redução no financiamento por parte de bancos europeus já começou a ser sentida por empresas da África e América Latina, aumentando a pressão sobre as economias em desaceleração.
Diz a reportagem: “Os bancos europeus aumentaram sensivelmente o crédito para os mercados emergentes e se tornaram alguns dos maiores credores internacionais nesses países. O recuo deles apertou o crédito para várias indústrias — aeronáutica, comunicação, mineração — prejudicando ainda mais economias que já sentem os efeitos da redução da demanda dos países desenvolvidos por suas exportações”,
E continua o jornal: “O temor agora é que mesmo um recuo modesto no crédito possa se transformar numa repetição do aperto de crédito de 2008 que ocorreu após o colapso do Lehman Brothers. Na época, a redução do crédito disponível forçou empresas a lutarem para garantir recursos e colaborou para o maior encolhimento do comércio mundial desde a Grande Depressão, nos anos 1930.

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nos anos 30″.
Srªs Senadoras, Srs. Senadore, este é o cenário que se avizinha para o Brasil. Porém, não somos pessimistas. Venho aqui para dizer que, apesar disso, o Brasil está preparado para atravessar a crise. 2012 não será fácil, mas o País dispõe de instrumentos para manter a economia no rumo, sem esquecer-se…

(A Srª Presidente faz soar a campainha.)

O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco/PT PE) – … da maioria do nosso povo.
Temos o PAC 2, que deverá ser acelerado em 2012, justamente quando o cenário externo estará num grande processo de deterioração. É quando o Brasil precisará do seu mercado interno para crescer e gerar empregos.
A Presidenta Dilma Rousseff acertou ao definir uma estratégia de colocar o PAC 2 cumprindo um papel anticíclico. Isso vai permitir ao País manter as condições de sustentar-se no cenário internacional, numa situação muito diferente da União Europeia e dos Estados Unidos.
Daí a importância da aprovação da Medida Provisória 541, na noite de terça-feira, pelo Senado, estabelecendo a continuidade das ações do Plano Brasil Maior, lançado em agosto.
Apesar dos ataques da oposição, principalmente por conta dos excessos no texto, a MP é importante. Ela vai dar estímulos ao setor importador, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, da indústria automobilística; a mudança de critério de cobrança de contribuição previdenciária de empresas e a instituição de um regime de compensação tributária para exportadores.
Por isso também é preciso destacar a importância da aprovação do projeto de Desvinculação das Receitas da União, a DRU…

(A Srª Presidente faz soar a campainha.) O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco/PT – PE) – pela Câmara, na noite de ontem. A proposta chega agora para apreciação aqui, no Senado.
Precisamos garantir ao Governo a margem para gerir livremente R$ 62 bilhões. Um terço desses recursos, algo em torno de R$ 20 bilhões, irá para programas prioritários, como a construção de moradias, a erradicação da pobreza e também para obras de infra-estrutura.
Essa é a resposta à crise. Esse é o caminho para seguirmos avançando. No Brasil, é a política que define o futuro. E o futuro, Srªs e Srs. Senadores, apesar das nuvens cinzas, é promissor para todos nós, brasileiros.
Muito obrigado, Srª Presidenta, pela tolerância.
A SRª PRESIDENTE (Marta Suplicy. Bloco/PT – SP) – Obrigada, Senador Humberto Costa.

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