Humberto: existem indícios de quebra de decoro

Relator do caso no Conselho de Ética, o senador petista acredita que há indícios de quebra de decoro por parte de Demóstenes. “Os fatos estão absolutamente cristalinos e alguns são contundentes”, disse sem querer adiantar informações.

:: Rafael Noronha29 de maio de 2012 19:54

Humberto: existem indícios de quebra de decoro

:: Rafael Noronha29 de maio de 2012

Após a reunião do Conselho de Ética realizada nesta terça-feira (29/05), o senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que “existem indícios de quebra de decoro parlamentar” por parte do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Humberto é relator do processo que apura possível quebra de decoro parlamentar do senador pelo estado de Goiás em suas relações com o contraventor Carlos Cachoeira.

“Todos os dados estão disponíveis para os senadores. Os fatos estão absolutamente cristalinos e alguns são contundentes. Se o Senado pretende preservar a sua imagem diante da população, ele precisa ter uma decisão rápida e justa”, ressaltou Humberto, disse sem querer adiantar quais seriam os fatos determinantes que levariam ao pedido de cassação do parlamentar goiano.

Pode se dizer, no entanto, que Demóstenes, no depoimento de hoje, inverteu o que havia dito antes em discurso plenário, quando havia admitido apenas uma relação de amizade com o contraventor sem maiores comprometimentos. “Podem grampear a vontade. Não vão encontrar nada. Isso não vai me intimidar”, disse Demóstenes em discurso no plenário no dia 06/03/12. 

Durante a sessão do Conselho, o senador Demóstenes Torres confirmou ter recebido um aparelho telefônico para se comunicar diretamente com Carlos Cachoeira. Questão recorrente durante a sessão, o senador além de reconhecer ter recebido o aparelho da marca Nextel, afirmou que a conta telefônica do aparelho era paga pelo contraventor. Humberto Costa aponta que esse pode ser um dos indícios de que tenha ocorrido quebra de decoro parlamentar por parte do senador Demóstenes.

“A quebra do decoro parlamentar é algo objetivo. Você sabe que tipo de conduta é incompatível com a ética ou a moral no trabalho parlamentar. Não é usual que um parlamentar conceda a uma pessoa vinculada a contravenção, a oportunidade de se presentear com um telefone”, avaliou o relator.

Para Humberto, a sessão foi produtiva e auxiliará na construção do relatório final que, segundo ele, deve ser votado ainda neste semestre pelo Conselho de Ética e também pelo plenário da Casa. “Tenho um farto material para iniciar a elaboração do relatório. Acredito que até o final do mês de junho votaremos o relatório no Conselho de Ética. Assim ficaríamos com 15 dias para que se realize a votação no plenário da Casa. Se depender de mim, nós vamos ter uma decisão no plenário, antes do recesso parlamentar. Os elementos estão todos colocados, os documentos estão disponíveis, tive a oportunidade de estudar muita coisa, portanto, minha expectativa é podermos tomar uma decisão rapidamente”, declarou.

Rafael Noronha
 

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