IPEA: desigualdade entre pobres e ricos no Brasil está em franca redução

:: Da redação19 de setembro de 2012 19:57

IPEA: desigualdade entre pobres e ricos no Brasil está em franca redução

:: Da redação19 de setembro de 2012

Percepção de que a pobreza diminuiu acentuou-se nos últimos cinco anos, diz Marcelo Neri. Alta da renda cresceu em todas as regiões do País.

Recém-nomeado presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Marcelo Néri aguarda ansioso a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acontece nesta sexta-feira (21/09). Os dados muito provavelmente corresponder às expectativas do economista e confirmar a década 2001/11 como “A” década da redução da desigualdade no Brasil. Esse avanço, segundo avalia Neri, foi reforçado especialmente nos últimos cinco anos, quando se consolidou a percepção, mesmo do brasileiro mais humilde, de que houve melhorias significativas nas suas condições de vida.

Para Neri, mesmo estatísticas subjetivas como as baseadas em perguntas simples como “dá para chegar até o final do mês?” e “como avalia a qualidade da sua alimentação?” revelam o otimismo dos brasileiros. “Em várias coisas você nota uma percepção positiva. Acho que os dados têm que ser olhados com cuidado pela seguinte questão. Você coloca ali o total de gastos por família, não é per capita. E as famílias tiveram uma queda grande, 10%, no seu tamanho. Então vamos dizer, o gasto da família sobe 10, que é mais ou menos o que aconteceu, o gasto total das famílias sobe 10, a renda total das famílias sobe 10, 10.6, na verdade o gasto per capita sobe 20.6, porque as famílias estão menores, as pessoas estão distribuídas em domicílios menores. Então nesse período, tanto pela PNAD quanto pela POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), houve uma mudança bem importante na distribuição de renda”, explicou.

Em entrevista concedida ao site Carta Maior e publicada nesta quarta-feira (19/09), Neri se mostra visivelmente empolgado o resgate histórico dos últimos dez anos. “Para se ter uma ideia, a renda no Nordeste, que é a área mais pobre do Brasil, nesses oito anos cresceu, por pessoa, em termos reais, 42%. No Sudeste, 16%; nas áreas rurais, cresceu 49%; nas metrópoles cresceu 21%, embora nas favelas tenha crescido 42%, em geral as favelas são dentro das grandes cidades”, afirma.

Entre os dados mais substanciais de que o fosso entre pobres e ricos no Brasil está em franca redução, Neri cita o mercado de trabalho brasileiro –
determinante último da renda das pessoas – que está tendo um excelente desempenho. “Eu diria que o crescimento da renda das pessoas e a distribuição dela são os dois pontos fundamentais”, sintetizou. E acrescentou: “a economia está próxima do pleno emprego, a renda está crescendo, não no mesmo ritmo que estava crescendo antes da crise (econômica internacional), mas em um ritmo aceitável”.

Para o novo presidente do Ipea, a divulgação da PNAD deve consolidar essa impressão de que a desigualdade vai permanecer se estreitando. “Teremos mais dois anos na série, mas até 2009 eu acho, que do ponto de vista regional, e do ponto de vista das pessoas – não estou falando de PIB (Produto Interno Bruto), estou falando de dinheiro no bolso das pessoas – o Brasil tem tido um desempenho diferente do desempenho até então conhecido.

Federalismo social
Na avaliação de Marcelo Néri, o Brasil vive um momento de modificação. Ele chama essa mudança de novo federalismo social, onde estados e municípios se alinham ao governo federal na sua ação. “Por exemplo, o governo da presidenta Dilma lançou uma ação que é a de integração, no âmbito do Bolsa Família ou do Brasil sem Miséria, com os estados, citou, lembrando que o programa era sempre uma questão do governo federal e dos governos municipais, e os estados estão entrando nesse processo.

“Então tem uma nova possibilidade de fazer política social. Acho que o Bolsa Família, apesar dos serviços prestados em termos de redução de desigualdade e de melhora das condições objetivas das famílias, ele é acima de tudo uma plataforma para estados e municípios operarem. E isso está começando a acontecer em uma escala nunca antes observada. Quer dizer, ele enseja uma certa positividade em relação ao futuro”, avaliou.

Com informações do site Carta Maior

Foto: Ipea

Confira a entrevista “A década da redução das desigualdades no Brasil” no site da Carta Maior

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