reação ao golpismo

Isolado, Bolsonaro tenta esconder reais problemas do Brasil

Senadores reagem à manifestação golpista de Bolsonaro e enfatizam isolamento do presidente que, apesar do esforço, fala apenas para seus seguidores. Manifestações tiveram público menor do que o esperado pelos organizadores e demonstram enfraquecimento
:: Rafael Noronha8 de setembro de 2021 14:40

Isolado, Bolsonaro tenta esconder reais problemas do Brasil

:: Rafael Noronha8 de setembro de 2021

A bancada do PT no Senado reagiu em defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito após mais um arroubo autoritário do, cada vez mais isolado, Jair Bolsonaro. No feriado de 7 de setembro, ao invés do tradicional desfile do Dia da Independência, Bolsonaro protagonizou manifestações com inspirações golpistas, mas com público aquém do esperado pelos organizadores.

O número estimado de pessoas que compareceu à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ficou em 5% do que prometiam, na véspera, os áudios e vídeos distribuídos nas redes pelos bolsonaristas. Em São Paulo, o índice abaixo do esperado se repetiu.

Na avaliação do líder da Minoria no Senado, Jean Paul Prates (RN), o ataque promovido por Bolsonaro à democracia brasileira na última terça-feira deixa claro que o atual presidente não tem mais condições de permanecer no comando da Nação.

“O presidente tentou ir para o tudo ou nada e sai de mãos vazias. Os atos mostram que o presidente só consegue dialogar com sua claque e não é isso que se espera de alguém que deva liderar o país. Bolsonaro definitivamente perdeu as condições de governar, recuperar a economia e o Brasil. Só restam duas alternativas: renúncia ou impeachment. Como ele não é capaz desse gesto [de renunciar] pela Nação, já passa da hora de o Congresso conduzir o processo de impeachment do presidente”, afirmou o senador Jean.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também aponta para o isolamento de Jair Bolsonaro após as manifestações do dia de ontem. Para ele, ficou evidente que o presidente não tem mais condições de governar e recuperar o país de seus graves problemas.

“Bolsonaro não tem mais condições de governar. Sua popularidade segue caindo, a inflação disparou, a economia está naufragando. O que resta ao presidente falar para a sua claque. Ele apela porque está desesperado e sabe que em breve o seu destino será a cadeia”, disse.

Pesquisa Atlas Político realizada entre os dias 30 de agosto e 4 de setembro mostra a queda na avaliação de Bolsonaro. A avaliação negativa do governo, de acordo com o levantamento, é de 64%. Além disso, a pesquisa também mostra que Bolsonaro tem o maior índice de rejeição entre todos os possíveis presidenciáveis. 63% dos entrevistados afirmam ter uma imagem negativa do atual presidente.

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), o Brasil só poderá comemorar novamente o Dia da Independência quando se livrar definitivamente de Bolsonaro e tirá-lo da Presidência da República. “Bolsonaro é o agente do caos. Só vamos ter independência quando nos livrarmos dele”, destacou.

Brasil também vai às ruas contra Bolsonaro
O tradicional Grito dos Excluídos, realizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil há mais de 27 anos, uniu pessoas em mais de 200 cidades do Brasil nesse domingo em manifestações contrárias ao governo Bolsonaro.

Milhares de pessoas foram às ruas hoje manifestar insatisfação com os desmandos do governo federal. Nos cartazes estavam estampados os desejos do povo: comida no prato, vacina no braço e democracia.

“Essa é a verdadeira Independência que nós desejamos”, apontou o senador Jaques Wagner (PT-BA). “Um país verdadeiramente independente oferece dignidade e respeita a sua gente, com acesso à direitos básicos como saúde, educação, segurança e moradia”, enfatizou.

O líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), esteve na manifestação do Grito dos Excluídos realizada em Brasília e afirmou que o recado da população não poderia ter sido mais explícito. “Vida em primeiro lugar — na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já”.

Já o senador Paulo Paim (PT-RS) destacou os números do “Brasil real” ignorado por Bolsonaro. Enquanto os brasileiros sofrem os impactos da pandemia e o presidente, ao invés de procurar soluções para os verdadeiros problemas do país, “[temos] 62 milhões vivendo na pobreza e na miséria, 120 milhões em insegurança alimentar, quase 15 milhões de desempregados, 5 milhões de desalentados, 35 milhões na informalidade, maior inflação dos últimos 20 anos e quase 600 mil mortes pela covi-19”, elencou o senador.

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