Democracia

Manual do eleitor: saiba o que observar antes de escolher seus candidatos em 2026

Eleitor terá seis escolhas na urna e poderá consultar histórico de parlamentares para avaliar propostas, votações e compromissos antes de decidir o voto

Roberto Jayme/TSE

Manual do eleitor: saiba o que observar antes de escolher seus candidatos em 2026

As eleições de 2026 estão chegando e, além de conhecer os candidatos e suas propostas, o eleitor pode adotar alguns critérios para tomar uma decisão consciente nas urnas. Saber o que cada cargo faz, consultar o histórico de quem já exerceu mandato e acompanhar como os parlamentares votaram em temas importantes são algumas das ferramentas disponíveis para avaliar os candidatos.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Se houver segundo turno, a votação será em 25 de outubro, também das 8h às 17h.

Na eleição deste ano, o cidadão fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente da República.

Saiba o que cada cargo pode fazer

Antes de escolher um nome, é importante entender quais são as atribuições do cargo em disputa.

Presidente da República – chefia o Poder Executivo federal, administra a União, sanciona ou veta projetos aprovados pelo Congresso e propõe políticas e medidas de âmbito nacional.

Governador – administra o estado ou o Distrito Federal e é responsável por políticas públicas dentro das competências estaduais ou distritais, como segurança pública, educação e saúde.

Senador – representa o estado ou o Distrito Federal no Senado. Participa da elaboração de leis, de mudanças na Constituição e da fiscalização do Executivo. Cada unidade da Federação tem três senadores, com mandato de oito anos. Em 2026, serão escolhidos dois por estado e pelo DF.

Deputado federal – atua na Câmara dos Deputados, participa da elaboração das leis federais, fiscaliza o Executivo e vota o Orçamento da União.

Deputado estadual ou distrital – atua na Assembleia Legislativa ou, no caso do DF, na Câmara Legislativa, participando da elaboração das leis locais e da fiscalização do governo estadual ou distrital.

Não olhe apenas para as promessas

Uma das principais perguntas que o eleitor pode fazer é: o que esse candidato já fez quando teve poder para decidir?

Para quem já ocupa ou ocupou mandato, vale consultar:

– como votou em propostas importantes;

– quais projetos apresentou;

– quais projetos relatou;

– sua participação nas votações;

– sua atuação em comissões;

 -suas posições sobre temas que afetam diretamente a população;

– quais compromissos assumidos anteriormente foram efetivamente cumpridos.

Para candidatos que nunca exerceram mandato, a análise pode se concentrar nas propostas, alianças políticas, prioridades e no histórico de atuação em outras áreas.

A lógica é simples: proposta de campanha mostra o que o candidato diz que pretende fazer; histórico parlamentar mostra como ele se comportou quando precisou tomar decisões.

Preste atenção a propostas que envolvem privilégios

Um exemplo recente ajuda a entender por que acompanhar votações pode ser importante.

Em setembro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou a chamada PEC da Blindagem (PEC 3/2021). O texto previa que deputados e senadores só poderiam ser processados criminalmente mediante autorização da respectiva Casa legislativa. A autorização deveria ser analisada em até 90 dias e por votação secreta.

A proposta também alterava as regras para prisão de parlamentares em determinadas situações. O texto chegou ao Senado, mas foi rejeitado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça, com 26 votos favoráveis ao parecer contrário, e acabou arquivado.

O episódio mostra ao eleitor a importância de acompanhar não apenas o discurso dos candidatos, mas como eles se posicionam quando o Congresso discute regras que atingem os próprios parlamentares.

Na ocasião, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) criticou a tentativa de ampliar privilégios e defendeu que o Congresso mantivesse compromisso com a sociedade.

“Cabe a todos nós refazermos esse curso e mostrar que o Senado da República tem compromisso com o povo e que não vai patrocinar a ampliação de privilégios que se confundem com o cometimento de crime e a impunidade”, disse o senador, à época.

Veja também como o candidato se posiciona sobre o trabalho

Outro tema que permite avaliar posições concretas dos parlamentares é a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

A PEC 221/2019, que trata da redução da jornada semanal e prevê dois dias de repouso semanal remunerado, avançou no Congresso em 2026. Em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o texto e encaminhou a proposta ao Plenário.

O texto aprovado na CCJ reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. A proposta ainda precisa ser votada em dois turnos pelo Plenário do Senado para que possa avançar no processo de mudança da Constituição.

Para o senador Fabiano Contarato (PT-ES), a mudança é necessária para que o trabalhador consiga conciliar emprego e vida pessoal.

“O trabalhador precisa de tempo para viver, descansar e estar com sua família.”

A tramitação da PEC é mais um exemplo de tema em que o eleitor pode consultar quem apoiou, quem se opôs e quais argumentos foram apresentados pelos parlamentares.

Faça uma lista dos temas que são importantes

Não é necessário acompanhar todas as votações do Congresso. O eleitor pode escolher alguns assuntos que considera prioritários e comparar a atuação dos candidatos.

Podem entrar nessa lista temas como:

Trabalho: jornada, salário, direitos trabalhistas e aposentadoria.

Saúde: SUS, medicamentos, atendimento especializado e financiamento da saúde.

Educação: escolas, universidades, ensino técnico e valorização dos profissionais.

Segurança: prevenção, policiamento, sistema prisional e combate ao crime.

Economia: emprego, impostos, inflação, juros e políticas de desenvolvimento.

Moradia e infraestrutura: habitação, saneamento, transporte e mobilidade.

A partir daí, é possível perguntar: qual é a proposta de cada candidato? E o que ele fez quando teve oportunidade de votar sobre esse assunto?

Compare discurso, proposta e voto

Uma boa maneira de organizar a pesquisa é montar uma pequena tabela:

Propostas – O que o candidato promete fazer?

Histórico – O que ele já fez?

Votações – Como votou em temas importantes?

Presença – Participou efetivamente do mandato?

Prioridades – Quais pautas defendeu?

Coerência – O discurso combina com sua atuação?

Transparência – Presta contas de sua atividade?

Representação – Quais interesses e grupos aparecem em sua atuação?

O objetivo não é acompanhar apenas a quantidade de projetos apresentados, mas entender quais propostas foram defendidas, quais posições foram assumidas e quais decisões foram tomadas.

Lembre que o Legislativo também decide os rumos do país

Durante uma eleição, a disputa pela Presidência e pelos governos estaduais costuma concentrar grande parte da atenção. Mas o eleitor também escolherá os parlamentares que terão papel decisivo na aprovação ou rejeição de leis, no Orçamento e na fiscalização dos governos.

Deputados e senadores podem modificar projetos, apresentar emendas, participar de comissões, fiscalizar gastos públicos e votar propostas que afetam diretamente a vida da população.

Por isso, uma pergunta importante antes de votar é:

Quem estará fazendo as leis e fiscalizando o governo nos próximos quatro anos?

Confira as informações oficiais antes de votar

No dia da eleição, o eleitor fará seis escolhas, nesta ordem:

1. Deputado federal

2. Deputado estadual ou distrital

3. Senador – primeira vaga

4. Senador – segunda vaga

5. Governador

6. Presidente da República.

Como serão duas vagas para o Senado, será necessário escolher dois candidatos diferentes para senador. A eleição para senador é majoritária, enquanto deputado federal, estadual e distrital são escolhidos pelo sistema proporcional.

O eleitor pode consultar antecipadamente seu local de votação e preparar uma anotação com os números dos candidatos para evitar dúvidas na cabine.

O que levar no dia da votação

A votação começa às 8h e termina às 17h, pelo horário de Brasília. O encerramento ocorre às 17h desde que não haja eleitores aguardando na fila.

Para votar, o eleitor deve apresentar documento oficial com foto. Também pode utilizar o e-Título, desde que esteja com fotografia, quando aplicável.

Quem estiver fora de seu domicílio eleitoral deverá justificar a ausência. A justificativa pode ser feita pelo e-Título ou pelos meios disponibilizados pela Justiça Eleitoral.

O voto é individual, mas a informação é pública

A escolha do eleitor é individual. O que pode ser público e verificável é a atuação de quem exerce mandato.

Por isso, antes de decidir, vale buscar informações sobre votações, propostas, posicionamentos e histórico. Em temas como a PEC da Blindagem e a redução da jornada de trabalho, por exemplo, é possível consultar como os parlamentares se posicionaram e quais argumentos apresentaram.

Mais do que escolher um nome pela propaganda, a eleição oferece ao eleitor a oportunidade de avaliar quem pretende representá-lo.

O voto é uma decisão de cada cidadão. Mas quanto mais o eleitor conhecer as atribuições dos cargos, as propostas em discussão e o histórico de quem pretende ocupar uma cadeira no Executivo ou no Legislativo, mais elementos terá para fazer sua escolha nas urnas.

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