Alessandro Dantas

Requerimentos apresentados por senadores do PT para convocar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e quebrar sigilos no caso da operação fraudulenta ligada ao Banco Master foram rejeitados nesta quarta-feira (18/3) pela CPI do Crime Organizado. Os parlamentares defenderam a necessidade de aprofundar as investigações e destacaram a proximidade dos citados com a instituição financeira, que, segundo suspeitas, teria sido utilizada para lavar dinheiro de organizações criminosas. A reunião foi conduzida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente do colegiado.
“Já está mais do que claro para toda a sociedade brasileira que se trata de um esquema de fraude dentro do sistema financeiro. Na verdade, uma pirâmide operando dentro de uma instituição financeira”, afirmou o senador Rogério Carvalho.
“Tomaram dinheiro de várias pessoas, sem lastro e sem condições de fazê-lo, realizaram operações temerárias — ou seja, criminosas — e, obviamente, isso aconteceu sob a guarda e a proteção do Banco Central, do Ministério da Fazenda e de um campo político. Portanto, não dá para tirar a política deste escândalo”, acrescentou o parlamentar, durante a discussão do requerimento de convocação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
O senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que, já em 2022, havia indícios de irregularidades no funcionamento do Banco Master. Segundo ele, naquele ano, houve 18 rejeições a pedidos de autorização de funcionamento da instituição.
“É evidente que o presidente da República teria condições de saber que esse banco não tinha uma atuação regular e, portanto, deveria rejeitar qualquer tipo de doação nesse contexto”, disse, ao defender a convocação de Valdemar Costa Neto.
O próprio dirigente partidário admitiu que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, efetuou uma doação de R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Em audiência recente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Uzeda Accioly, afirmou que o órgão identificou movimentações atípicas no Banco Master ainda em 2022. Segundo ele, por falta de pessoal e orçamento, grande parte das apurações segue em andamento.
Ao defender a quebra de sigilo do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, Humberto Costa ressaltou o papel do ex-integrante do governo Bolsonaro.
“Houve uma autorização praticamente precária para que esse banco funcionasse no período em que Paulo Guedes era ministro da Economia. A quebra de sigilo pode ampliar a investigação e ajudar a identificar se houve algum benefício indevido”, afirmou.
Apesar dos apelos, senadores da oposição votaram contra os requerimentos.
Na mesma reunião, o colegiado aprovou a convocação da empresária Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro.
Também foram aprovadas as convocações de Pedro Taques, Artur Martins de Figueiredo, João Gustavo Haenel Neto, Flavio Daniel Aguetoni, Thatiane Garcia Silva, Rodolfo Garcia da Costa e Marcus Vinicius da Mata.
Operação é classificada como fraudulenta por depoente
O gestor de fundos de investimento Vladimir Timerman apresentou, durante depoimento à CPI, uma série de slides que, segundo ele, demonstram a atuação fraudulenta da operação coordenada por Daniel Vorcaro.
Timerman afirmou haver ligações controversas entre Nelson Tanure e o Banco Master, alegando que a instituição financiaria operações do empresário para aquisição de controle de empresas.
As suspeitas ganharam força após operações da Polícia Federal, como a Compliance Zero, que investigou se Tanure seria o controlador de fato do banco.
O depoente afirmou ainda possuir elementos para sustentar que Tanure seria o verdadeiro dono do Banco Master, apesar de não figurar oficialmente como tal.
No início deste ano, o empresário foi alvo de operação da Polícia Federal. Em 2025, também foi investigado em procedimento aberto a pedido do Ministério Público Federal para apurar se exercia controle oculto sobre a instituição.
“Se você somar todo o lucro do Banco Master de 2019 a 2026, desconsiderando que seriam lucros fictícios, decorrentes da manipulação de cotas de ativos, e considerando que Daniel Vorcaro detinha 50% do banco, mesmo com a distribuição integral de dividendos, ele teria recebido cerca de R$ 1 bilhão. No entanto, gastou mais do que isso apenas com festas e viagens”, afirmou.



