Paim relembra episódios marcantes da elaboração da Constituição

:: Da redação29 de outubro de 2013 22:04

Paim relembra episódios marcantes da elaboração da Constituição

:: Da redação29 de outubro de 2013

 

Para Paim Constituição foi o instrumento
maior da democracia, mas existem alguns
fantasmas como o voto secreto (Site Paim)

Homenageado em sessão especial do Senado Federal pelo trabalho desempenhado como parlamentar constituinte, o senador Paulo Paim (PT-RS) relatou alguns momentos marcantes da construção da Lei Maior do Brasil. Ao discursar da tribuna, após ser agraciado com a medalha Ulysses Guimarães, o senador lembrou os debates acalorados, a pressão popular, a rubrica do PT em um texto que não concordava totalmente. Mas avalia que a Constituição de 88 “é o instrumento maior da democracia”, e que o texto final “não foi ótimo, mas foi bom”.

Paim observou que existem discussões que não foram satisfatoriamente resolvidas e que permanecem como fantasmas dentro Congresso Nacional. É o caso dos debates sobre o voto aberto e o orçamento impositivo. “Amanhã, esta Casa historicamente vai se posicionar sobre dois temas que nós defendíamos lá: o orçamento impositivo e do fim do voto secreto. Oxalá eu poderei olhar para o horizonte e dizer: ‘Há 27 anos, não consegui, mas, hoje, consegui’”, afirmou.

Além destes, recordou o senador, outros temas também motivaram “um debate duro e firme”. “Lembro-me do falecido deputado Juarez Antunes, que, na minha frente, levou um soco no rosto de um parlamentar em razão de uma divergência”, ressaltou. “Lembro-me dos aviões na noite da votação da reforma agrária. Aviões que saíam dos Estados e acabavam não chegando a Brasília. Nós tivemos que nos cotizar para que conseguíssemos fazer com que alguns aviões particulares fossem contratados e chegassem a tempo da votação. Nós seguramos na tribuna para que não se fizesse a votação final. Foram horas e horas. Votações terminavam na madrugada”, emendou.

O petista ainda destacou que o partido forçou ao máximo para garantir mais direitos aos trabalhadores e ampliar os direitos sociais, com um profundo apoio da pressão popular organizada pelo movimento sindical. E que essa posição levou a legenda a assumir uma postura ideológica, durante a votação do texto final, de não dar um voto para uma proposta que não atendia inteiramente a suas bandeiras, mas poderia assinar uma proposta que marcou definitivamente a ruptura da ditadura.

“Eu era a favor de votar e assinar. Fizemos o bom debate na Bancada, e prevaleceu a seguinte posição: se não atingimos o nosso objetivo, mas acharmos que não é ótimo, mas é bom, podemos votar contra em diversos momentos, até no final, simbolicamente, sem verificação de votação. E assinamos”, explicou.

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