Sociedade iniciou reação ao se dar conta do golpe em curso, destaca Ângela

:: Da redação12 de abril de 2016 19:42

Sociedade iniciou reação ao se dar conta do golpe em curso, destaca Ângela

:: Da redação12 de abril de 2016

Ângela: “Intelectuais, artistas, sociedade organizada já estão nas ruas para defender a democracia, a soberania do voto popular e a certeza de que os mandatos precisam ser respeitados”A senadora Ângela Portela (PT-RR) destacou, nesta terça-feira (12), em plenário, a posição “de todo o segmento educacional do País” que se posicionou contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Ângela registrou que, no Palácio do Planalto, nesta manhã, estavam presentes representantes e dirigentes das instituições de ensino superior, das universidades federais, e representantes de professores da pré-escola até a pós-graduação. “Foi um ato de muita emoção, de solidariedade e contra o impeachment da presidenta Dilma”, resumiu.

O segmento educacional, assim, se junta a muitos outros da sociedade que já se posicionaram de forma contundente contra o golpe travestido de impeachment pata presidente Dilma Rousseff.

Em seu pronunciamento, a senadora aproveitou para criticar a divulgação do áudio contendo o pronunciamento do vice-presidente Michel Temer. Para ela, “não há mais o que esconder”.

“Michel Temer escancarou as verdadeiras intenções do grupo político que trama, há um ano e meio, a derrubada de uma presidenta legitimamente eleita pelo voto livre de mais de 54 milhões de brasileiros. Parte do PMDB, associada aos derrotados de 2014, articula um golpe parlamentar contra a presidenta Dilma e, além disso, um atentado à democracia, na medida em que não houve cometimento de crime de responsabilidade, como exigido pela Constituição”, destacou.

Ângela ainda lembrou que, com o eventual impedimento da presidenta, quem se efetivaria como vice-presidente da República, seria o deputado Eduardo Cunha, esse, “sim, acusado de diversos crimes e suspeito de corrupção”.

“É isso que queremos para o Brasil? Tirar uma presidenta contra a qual não pesa nenhuma acusação de crime de corrupção, aplicando contra ela a mais pesada pena prevista em nossa Constituição? E colocar em seu lugar um vice-presidente contra o qual pesam suspeitas? E, de quebra, conferir mais poder a um parlamentar como Eduardo Cunha, que, em nome de seus interesses mais mesquinhos, vem promovendo uma política de sabotagem contra o governo e contra a estabilidade econômica e política em nosso País? ”, questionou

Além disso, a senadora enfatizou que não está sendo tramada uma agressão apenas a “uma mulher honrada” como Dilma Rousseff. “Está sendo urdido também um atentado contra os direitos sociais duramente conquistados pelo povo brasileiro há décadas. Ou alguém ainda tem dúvidas a respeito da pauta conservadora que se pretende pôr em prática a partir de uma eventual saída da Presidenta Dilma? ”, questionou. “A tal Ponte para o Futuro do PMDB, que, na verdade, promete ser um terrível retrocesso social, expõe as reais intenções do vice-presidente Temer: redução drástica nos gastos com saúde e educação, fim da legislação de proteção aos trabalhadores e entrega do patrimônio público”, emendou.

A senadora também lamentou o acirramento dos ânimos provocado por grupos políticos, associados às elites econômicas e que gerou, segundo ela, “uma situação de tensão social que há muito não víamos”. Ângela utilizou como exemplo o caso da médica do Rio Grande do Sul que se recusou a atender uma criança porque sua mãe era petista.

“Esse episódio deveria ter servido de ponto máximo de intolerância, forçando uma reflexão por parte daqueles que apostam na divisão do País”, apontou.

Apesar dos casos de intolerância, a senadora comemorou o fato de que parte considerável da população brasileira começa a perceber “a realidade dos fatos, antes que o golpe esteja consumado”.

“Intelectuais, artistas, sociedade organizada já estão nas ruas para defender a democracia, a estabilidade democrática, a soberania do voto popular e a certeza de que os mandatos precisam ser respeitados. Viva a democracia”, concluiu.

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