Alessandro Dantas

O Senado realizou nesta quinta-feira (5/11) sessão especial para celebrar a criação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial. Presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), a Frente foi instalada em maio deste ano com o objetivo de fortalecer a atuação do Congresso Nacional em defesa da paz, promovendo o debate e apoiando propostas voltadas à solução pacífica de conflitos e à convivência harmônica entre os povos.
A Frente também busca estimular estudos e pesquisas sobre o tema, apoiar iniciativas em defesa da paz e articular políticas públicas que contribuam para a justiça social.
Na abertura da sessão, Paim destacou a vitória do presidente Lula nas eleições de outubro como uma conquista da democracia e um sinal positivo para a construção da paz mundial.
“Lula, podem crer, é um presidente que é contra a guerra, Lula é um presidente da paz. Lula é um presidente da paz”, exaltou.
Ao destacar a importância da iniciativa, Paim ressaltou que a defesa da paz mundial está diretamente relacionada à garantia de direitos e à proteção da vida. O senador chamou a atenção para o sofrimento das populações atingidas por guerras e conflitos, especialmente crianças e famílias que vivem em condições de insegurança, fome e violência.
“Falar de paz mundial é falar da vida, é falar das famílias, das crianças, dos trabalhadores, dos idosos, dos jovens, dos povos que sonham com um futuro melhor. Mas como falar de paz quando tantas pessoas vivem sob o temporal das guerras? Como falar de paz quando milhares de famílias perdem suas casas, quando crianças crescem sem conhecer o significado de viver em segurança?”, questionou.
Para o senador, a paz também precisa se traduzir em condições dignas de vida e trabalho. “A paz precisa ser uma realidade. A paz tem que chegar a todas as casas, a todas as famílias, tem que chegar a todos os locais de trabalho. Não podemos ter trabalho escravo, como existe, infelizmente, ainda no nosso país”, afirmou.
Para o secretário-executivo da Frente Parlamentar pela Paz Mundial, Ulisses Riedel de Resende, a construção da paz depende também de comportamentos individuais orientados por valores humanos e virtudes.
“Há comportamentos que levam à paz e há comportamentos que levam à guerra. E é fácil perceber também que os comportamentos que levam à paz são os comportamentos virtuosos da dignidade humana, da correção humana, e que os comportamentos que levam à guerra são a falta dessas virtudes e desses valores”, afirmou.
Paz também exige justiça social e dignidade humana
A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Fátima Nancy Andrighi também destacou a dimensão humanitária da iniciativa. Para ela, a criação da Frente Parlamentar representa um compromisso com a valorização da dignidade humana e a superação das divisões provocadas pelos conflitos.
“Diante da dor que transborda as fronteiras das nações, testemunhamos o esgarçamento da nossa própria condição humana. A instalação solene desta Frente Parlamentar não representa apenas um ato político, mas se trata, na verdade, de um inadiável resgate civilizatório”, afirmou.
A ministra acrescentou que a iniciativa expressa a esperança de que o diálogo e a solidariedade prevaleçam sobre a intolerância e as diferenças, colocando a dignidade humana acima de qualquer conflito, armado ou não.
Representando a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o secretário executivo de campanhas da entidade, Jean Poul Hansen, relacionou a construção da paz à promoção da justiça social e à garantia de direitos básicos.
“A doutrina social da igreja nos oferece uma orientação decisiva: a paz não é simplesmente ausência de guerra nem equilíbrio entre forças adversárias, ela exige uma ordem fundada na justiça e na caridade, com respeito inadiável à dignidade humana. Por isso, falar de paz é também falar de pão, de trabalho digno, moradia, educação, saúde e participação”, declarou.
Hansen defendeu que o enfrentamento da pobreza e da fome seja parte central das iniciativas em favor da paz. “Não construiremos paz duradoura deixando os pobres do lado de fora. Não haverá fraternidade verdadeira se a fome for tratada como paisagem e o sofrimento, como estatística”, defendeu.
Cenário internacional exige mobilização pela paz
O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Carlos Márcio Bicalho Cozendey, destacou a importância da Frente Parlamentar diante do atual cenário de instabilidade internacional.
Segundo ele, a iniciativa fortalece a mobilização política e social no Brasil em defesa da paz, em um contexto marcado pela multiplicação dos conflitos armados e pelo enfraquecimento dos espaços de diálogo entre as nações.
“A criação desta frente constitui passo importante para fortalecer no Brasil a mobilização política e social a favor da paz”, afirmou.
Ele também chamou a atenção para o crescimento dos gastos militares em todo o mundo, em contraste com os recursos destinados ao enfrentamento da fome e da pobreza, ao desenvolvimento sustentável e à cooperação internacional.
Para o representante do Itamaraty, a erosão da confiança entre os Estados compromete o sistema de segurança coletiva construído após a Segunda Guerra Mundial e limita a capacidade de resposta às crises internacionais.
A representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Luciana Peres, afirmou que a criação da Frente representa uma escolha política em favor da inclusão permanente da paz na agenda pública brasileira.
“Em um cenário de escalada de conflitos armados e graves crises humanitárias, o Parlamento brasileiro afirma que a paz deve ocupar um lugar permanente na agenda pública. Uma agenda que exige continuidade, articulação entre instituições e disposição para ouvir aquelas e aqueles que vivem as consequências da violência”, declarou.




