Planeta Terra: a nossa casa – Por Paulo Paim

A cada dia mais e mais pessoas se mostram interessadas nos temas Ecologia e Meio Ambiente. Aos poucos estamos criando uma consciência de discussão sobre os rumos de nosso Planeta, e o que estamos e podemos fazer para a preservação de suas condições vitais.

:: Da redação25 de junho de 2014 17:28

Planeta Terra: a nossa casa – Por Paulo Paim

:: Da redação25 de junho de 2014

A preocupação com o meio ambiente é algo recente na história humana. Até meados do século passado, muito pouco se falava ou estudava sobre os impactos da ação humana ? principalmente de sua atividade produtiva ? no meio natural que nos cerca.

Foi apenas no final do século XIX que surgiu a disciplina denominada “Ecologia”, termo originado das palavras gregas oêkos, que quer dizer casa, e logos, que significa estudo.

A nossa casa é onde vivemos e exercitamos essa experiência monumental chamada vida. É justamente a partir desse sentimento ? de que o Planeta Terra é realmente a nossa casa ? que devemos fortalecer a absoluta necessidade de cuidar dela, protegê-la e respeitá-la.

Quem aqui gostaria de chegar em seu domicílio e encontrá-lo sujo, com manchas escuras nas paredes, com o ar condicionado quebrado e apresentando graves problemas de manutenção?

É com esse espírito ? com a preocupação de quem está reformando e cuidando de sua própria casa ? que devemos avaliar todas as graves questões ecológicas contemporâneas, cujas consequências catastróficas podem ser maiores do que imaginamos.

Constatados os danos ambientais que produzimos ao longo dos tempos, notadamente desde a revolução industrial, finalmente a humanidade acordou para os desatinos que eram cometidos em nome da atividade econômica e em detrimento das condições de nossa casa.

A grande catástrofe ambiental que envolveu um petroleiro inglês na década de 1960, deixando na costa britânica uma grande mancha de mais de 300 quilômetros, foi o grande alerta de que o mundo precisava de freios, de uma reflexão sobre como estávamos tratando os meios naturais de que dispomos.

Em 1972, foi realizada a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, na Suécia. Começavam ali os esforços internacionais para uma governança global sobre o meio ambiente e o clima, tendo inclusive criado a efeméride que hoje celebramos e debatemos.

Foram necessárias mais duas décadas para que esse debate crescesse e ganhasse força na agenda mundial, culminando com a realização da Eco 92, no Rio de Janeiro, cujos resultados e discussões pavimentaram o caminho para os acordos ambientais que viriam a surgir.

Não foi por acaso que naquele momento sediamos a mais importante conferência mundial sobre o meio ambiente. Afirmávamos, ali, a condição de protagonista e potência ambiental global, assumindo um papel de relevo que iria se consolidar, ainda mais, nas décadas vindouras.

As esperanças de uma grande concertação mundial sobre o meio ambiente e seus impactos, então, alcançaram expressão máxima com o Protocolo de Kyoto, em 1997. Naquele momento, mesmo com os Estados Unidos sem assiná-lo, o mundo desenvolvido reconhecia, por meio do tratado, a necessidade imperiosa de monitorar e diminuir significativamente suas emissões de gases poluentes.

Ao mesmo tempo, reconhecia-se também o direito das nações emergentes ao desenvolvimento sustentável, estabelecendo uma política de compensação e troca dos compromissos de controle ambiental.

Desde então, o debate se consolidou nos grandes fóruns internacionais, embora os inquestionáveis avanços tenham sido acompanhados de alguns fracassos e retrocessos.

O fato é que, mesmo com o ceticismo de uma minoria de cientistas e pesquisadores ? que apregoam a incapacidade humana em alterar o rumo das chamadas mudanças climáticas ?, a humanidade não pode correr o risco de pagar para ver, e apostar em um fatalismo que esconde as nossas responsabilidades.

Recentemente um grupo de cientistas que monitora o derretimento das geleiras da Antártida sinalizou, por meio de projeções, que a situação pode ser pior do que imaginávamos, talvez sem possibilidade de retorno futuro. Isso significa que centenas de trilhões de toneladas de gelo desaparecerão nos oceanos, causando uma elevação de até um metro no nível dos mares. Trata-se de um alerta da mais alta gravidade.

É necessário que o mundo inteiro tome consciência dessa situação absolutamente alarmante, e que possamos agir com mais força e de maneira decisiva na questão climática, conjugando esforços para o seu enfrentamento.

Nosso País nunca se furtou ao debate franco e direto sobre o tema, assim como ao compromisso de levar adiante, sem qualquer tergiversação, as metas estabelecidas pelos acordos internacionais. Nossa principal fonte de emissão, o desmatamento, já apresenta uma queda de mais de 80% em relação aos índices coletados em 2004.

No que tange aos gases de efeito estufa, já atingimos 62% da meta estabelecida para redução, tendo como referência os níveis apresentados em 1990. Dessa maneira, o Brasil não somente reafirma a sua adesão ao ambientalismo, mas mostra ao mundo um modelo possível e autônomo de desenvolvimento, cuja matriz se baseia na sustentabilidade e na consciência ambiental.

O Brasil está mostrando que é plenamente possível aliar crescimento, distribuição de renda e proteção ao meio ambiente, combinando inovação, competitividade e redução da desigualdade.

O fato é que de pouco vale o crescimento econômico bruto de um país se esse não for para todos e em condições sustentáveis, sob pena desses recursos gerados não serem aproveitados como deveriam.

É claro que muito ainda temos de avançar na questão ambiental em nosso País, mas a sua força e o seu resultado já se mostram de maneira inequívoca.

Artigo originalmente publicado no portal de notícias Brasil 247

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