Alessandro Dantas

Todos os senadores do PT assinaram o pedido de criação da CPI do Banco Master apresentado em janeiro deste ano pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). Após as recentes revelações sobre a proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), parlamentares petistas voltaram a defender publicamente a instalação da comissão para investigar o caso.
Autor do requerimento, Rogério Carvalho argumentou, ainda em janeiro, que os fatos relacionados ao Banco Master configuram “um dos maiores esquemas de fraude financeira já identificados no Brasil”, com potencial prejuízo bilionário e impacto sobre investidores, aposentados, pensionistas e o Sistema Financeiro Nacional. Segundo ele, a dimensão das denúncias justifica a criação de uma comissão “técnica, independente e republicana”.
“Os fatos expostos, amplamente noticiados pela imprensa nacional e documentados em processos judiciais, inquéritos policiais e relatórios de órgãos públicos, evidenciam a existência de um dos maiores esquemas de fraude financeira já identificados no Brasil”, afirmou o senador. “A magnitude, complexidade e gravidade das condutas apuradas justificam plenamente a constituição desta Comissão Parlamentar de Inquérito”, acrescentou no documento utilizado para recolher as assinaturas.
Jaques Wagner: escândalo do Master nasceu na gestão Bolsonaro
Na tarde de ontem (13/5), após as revelações publicadas pelo The Intercept Brasil, mostrando a proximidade entre o banqueiro e o pré-candidato bolsonarista, a líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reforçou que o partido não apenas assinou os pedidos de investigação como também apresentou uma das propostas de CPI. Segundo ela, o debate precisa sair do campo das acusações políticas e avançar para uma apuração técnica.
“Um desses pedidos é de origem do requerimento do senador Rogério Carvalho, do PT, com assinaturas suficientes também”, declarou Teresa. “Eu acho que está na hora de a gente desatar esse nó e fazer a nossa parte de uma investigação precisa, correta, de uma investigação técnica, que tire das narrativas esse jogo de acusações”, afirmou. A senadora também destacou que assinou pessoalmente o pedido de CPI do Banco Master.
BolsoMaster: bancada petista quer investigar relações entre a política e o escândalo financeiro
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o caso “tem digitais do bolsonarismo do começo ao fim” e defendeu uma investigação ampla sobre as denúncias envolvendo favorecimento político e repasses eleitorais.
“O escândalo do Banco Master tem digitais do bolsonarismo do começo ao fim”, disse Randolfe. “Nós defendemos a CPI pra investigar e chegar em todos os envolvidos”, completou.
Também nesta terça-feira, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) criticou declarações de Flávio Bolsonaro contrárias à criação da CPI e afirmou que a investigação é necessária para esclarecer os fatos à população antes das eleições.
“Seria muito oportuno, fundamental, para que os cidadãos e cidadãs brasileiras saibam muito bem com quem está a verdade dos fatos”, afirmou Veneziano. O senador lembrou ainda que Flávio Bolsonaro chegou a classificar uma eventual CPI do Banco Master como “ilegalidade”.
Também durante a sessão plenária dessa quarta-feira, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), enfatizou que o ponto de partida de todo o escândalo envolvendo o Banco Master foi gestado ainda no governo Bolsonaro, durante a gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. “Eu já aprendi que todos que sobem aqui [na tribuna do Senado] ou na Câmara dos Deputados para dizer que eles são os arautos da honestidade, geralmente o tempo acaba provando que não era bem assim”, disse Wagner.



