Alessandro Dantas

Wagner mostra reportagem que comprova ligação do bolsonarismo com escândalo financeiro
Quem assistia à Sessão Plenária do Senado nesta quarta-feira (13/05) teve a oportunidade de testemunhar uma fake news sendo desmontada. A narrativa criminosa da direita, e especialmente do filho do ex-presidente Bolsonaro, que tentava atribuir ao PT “a gênese do enriquecimento ilícito do Banco Master”, caiu por terra atingida pelo discurso do senador Jaques Wagner (PT-BA) e pela publicação do áudio comprometedor no qual o parlamentar da extrema-direita pede R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo maior escândalo financeiro da história do país.
“Eu não vim aqui por conta disso, eu vim aqui por conta da fake news que o senador Flávio Bolsonaro fez semana passada, para esclarecer que na Bahia não nasceu nenhum trambique. O trambique nasceu quando o Banco Central [sob a gestão de Roberto Campos Neto], que deveria fiscalizar o que estava acontecendo, não fiscalizou e permitiu que Daniel Vorcaro pudesse fazer o rombo que fez de R$ 50 a 60 bilhões contra o FGC [Fundo Garantidor de Crédito]”, afirmou.
Jaques Wagner fez uma exposição didática da cronologia do escândalo do Banco Master.
- Novembro de 2017: Vorcaro formaliza junto ao BC pedido de compra do Banco Master. Sob a presidência de Ilan Goldfajn, o BC rejeita a operação.
- Janeiro de 2019: nova tentativa de Vorcaro para adquirir a instituição e nova negativa do BC, desta vez de forma unânime, já que os interessados não conseguiram demonstrar a origem lícita e suficiente dos recursos para a transação.
- Fevereiro de 2019: Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, assume a presidência do Banco Central.
- Agosto de 2019: na terceira tentativa de Vorcaro, e sob a nova gestão de Campos Neto, o Banco Central aprova a compra do Master, ignorando os impedimentos apontados meses antes pela gestão anterior.
- Dezembro de 2019: a captação do Master era de R$ 2,6 bilhões. O valor começa a dobrar sucessivamente durante os anos da gestão de Roberto Campos Neto.
- O salto de 2022: Jair Bolsonaro assina uma medida provisória que autoriza a entrada da instituição no lucrativo mercado de crédito para aposentados. Com essa canetada, o faturamento sobe de forma astronômica, atingindo a marca de R$ 60 bilhões.
- Entre 2021 e 2024, o BC de Campos Neto enviou 25 ofícios exigindo medidas saneadoras devido a irregularidades no Master. As determinações não foram atendidas pela instituição financeira e, apesar disso, a gestão de Campos Neto não solicitou a liquidação do banco, permitindo que ele continuasse operando e captando recursos.
- Maio de 2026: a liquidação do Banco Master só é finalmente executada após a mudança na governança do Banco Central, sob a gestão de Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula, que encerra o ciclo de conivência iniciado no governo anterior.
Para responder às fake news bolsonaristas, Jaques Wagner relatou como se deu a privatização de rede de supermercados Cesta do Povo, que pertencia ao Governo do Estado da Bahia. As lojas davam R$ 80 milhões de prejuízo aos cofres públicos anualmente. A concorrência, realizada em 2018, foi vencida pelo empresário Augusto Lima, que se tornaria sócio de Vorcaro. “Acaba aí a relação dessas pessoas com a Bahia”, frisou Jaques Wagner, à época secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.
A líder do PT na Casa, Teresa Leitão (PE), disse que a transparência como Jaques relata a venda da estatal baiana mostra a diferença de conduta entre os governos petistas e a direita. “Eu tenho certeza de que foi negociar o que era possível fazer para melhorar a vida do povo, não chamou ninguém de “meu irmão”, “estamos juntos”, “amor para sempre”, “onde você estiver, estarei””, disse a líder petista, em referência a termos usados por Flavio Bolsonaro na mensagem a Vorcaro.
“Se vazar algum áudio da conversa que [Jaques Wagner] teve como governador, será, certamente, uma conversa institucional, nos termos que merece ser”, acrescentou. A senadora lembrou que que há quatro pedidos de CPI para investigar o escândalo do Master, um deles do senador Rogério Carvalho (PT-SE).



