Democracia

Rejeição de Messias: senadores do PT apontam quebra de pacto constitucional

Líder do PT, Teresa Leitão disse que o Senado agiu contaminado pelo ambiente eleitoral e que governo vai seguir perseguindo o interesse do país

Alessandro Dantas

Rejeição de Messias: senadores do PT apontam quebra de pacto constitucional

Jorge Messias, durante sabatina na CCJ que precedeu votação no Plenário

Em uma decisão que rompeu com tradição de mais de um século, o Senado rejeitou nesta quarta-feira (29/04) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão gerou imediata repercussão entre os senadores petistas, que classificaram o episódio como uma afronta à harmonia entre os Poderes e um sinal preocupante de politização do Judiciário.

Na avaliação dos parlamentares, a rejeição desrespeita a atribuição constitucional do presidente da República de indicar ministros para a Suprema Corte.

“Não foi uma derrota para Lula ou para Messias. Foi uma derrota para o próprio Senado, uma triste página na história de uma instituição conhecida, até então, pela sua sobriedade e pela responsabilidade com que sempre havia tratado temas de alta relevância para o Brasil. Torço para que o Senado retome seu curso e que episódios dessa natureza não voltem a se repetir pelo bem do Estado Democrático de Direito”, avaliou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Camilo Santana (PT-CE) disse que “a rejeição de um nome com reconhecida competência técnica exige uma reflexão profunda e responsável por parte do Senado”.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (BA), lembrou que a oposição ao governo anterior respeitou as indicações de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, reconhecendo a prerrogativa presidencial. Para Wagner, “Jorge Messias não perdeu a indicação ao Supremo. Quem perdeu foi o pacto constitucional”.

No mesmo tom, Fabiano Contarato (ES) alertou que a sobreposição de interesses ideológicos à responsabilidade constitucional compromete a estabilidade republicana. “É um sinal preocupante sobre os rumos institucionais do país. Perde-se a oportunidade de fortalecer a Justiça, a democracia e a estabilidade republicana”, afirmou.

A competência técnica e a conduta ética de Messias foram apontadas pelos parlamentares. A líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE), lamentou que a contaminação eleitoral tenha prejudicado uma escolha de tamanha responsabilidade. “Nosso dever é seguir perseguindo o interesse público e o que verdadeiramente fortalece as instituições”, enfatizou.

O presidente do PT, Edinho Silva, chamou a atenção para os eventuais riscos da instabilidade institucional para a economia. “Mais uma atribuição do Poder Executivo é esvaziada pelo Legislativo. Em um momento de tamanha instabilidade mundial, onde a racionalidade perde espaço para o ódio e para a intolerância, no Brasil deveríamos dar exemplos de paz política e estabilidade. Não existe na história registro de um país que tenha crescido economicamente na instabilidade política e institucional”, disse.

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