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Senadores do PT defendem fim das bets e alertam para endividamento e vício

Parlamentares defendem medidas mais rígidas contra as apostas online e apontam impactos sobre famílias, jovens, comércio e clubes esportivos

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Senadores do PT defendem fim das bets e alertam para endividamento e vício

O avanço das apostas online e os impactos das bets sobre o endividamento das famílias têm levado senadores do PT a defender medidas mais duras para conter o setor. O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), defende até mesmo o fim das apostas no país. Humberto Costa (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE) também pregam restrições severas à atividade e apontam consequências sociais do crescimento das plataformas.

“Eu, particularmente, sou contra as bets. Acho que nós devemos acabar com esses jogos no Brasil. Houve um erro nacional ao aprová-los. Existe um lobby muito grande das empresas e é impressionante a quantidade de propaganda na televisão. Isso tem machucado muitas famílias”, afirmou Camilo.

Segundo o senador, o problema já atinge famílias que acumulam dívidas por causa das apostas. “Tenho ouvido depoimentos de famílias endividadas. Isso vira um vício. Pessoas chegam a perder a casa para pagar dívidas. É um problema muito grave que tem afetado milhares de brasileiros”, disse.

Camilo defende que o governo federal adote uma medida para interromper a atividade. “Defendo que o presidente Lula edite uma medida provisória acabando com esses jogos no Brasil. Hoje esse mercado representa um grande prejuízo para as famílias brasileiras”, afirmou.

Em julho deste ano, o líder do PT apresentou o PL 3.765/2026, que altera a legislação das apostas de quota fixa para estabelecer limites mensais aos depósitos realizados nas plataformas. A proposta prevê um teto padrão de R$ 80 por mês e impede que beneficiários de programas sociais utilizem recursos públicos em apostas.

“Quem recebe programas sociais do governo não poderia jogar. E quem recebe a partir de um salário mínimo teria um limite de até 5% da renda para apostas. É uma forma de proteger as famílias e evitar o superendividamento”, explicou Camilo.

Senadores alertam para avanço das bets e defendem medidas contra vício e endividamento

Humberto quer ampliar restrições

Presidente da Frente Parlamentar por um Brasil Sem Jogos de Azar, o senador Humberto Costa também defende uma mudança profunda nas regras das apostas. Para ele, o futebol não pode ficar dependente financeiramente das bets.

“O Brasil é o país do futebol, e o futebol existe antes das bets. Por isso, a gente precisa entrar em campo para apertar a regulação sobre essas apostas e evitar a dependência, tanto das pessoas quanto de algumas atividades sociais, como as esportivas”, afirmou.

Humberto diz que os efeitos das apostas já ultrapassam o ambiente esportivo. “As bets estão acabando com o patrimônio e com a vida das pessoas, com o comércio das pequenas cidades e com o sonho de jovens que estão abandonando a universidade porque gastam seu dinheiro nesses cassinos online”, apontou.

Em agosto de 2025, o senador apresentou o PL 3.754/2025, que propõe uma série de restrições às apostas de quota fixa. Entre as medidas estão a proibição de apostas para menores de 21 anos, limite mensal de apostas de até um salário mínimo, restrições à publicidade e o fim do patrocínio de eventos esportivos, culturais e educacionais.

“No Senado, eu apresentei projetos de lei para limitar idade, renda, volume, enfim, o alcance dessas apostas. Elas não podem seguir associadas, por exemplo, a eventos culturais, e precisamos trabalhar uma transição de financiamento aos nossos clubes, para que eles não sejam mais dependentes de bets”, afirmou Humberto.

O senador também relaciona o crescimento das apostas ao endividamento e à atuação do crime organizado. “Enquanto tem gente faturando bilhões com esses cassinos online, a sociedade está pagando a conta com o endividamento e adoecimento em um esquema em que o crime organizado tem mostrado seus tentáculos”, enfatizou.

Rogério defende fim das operações atuais

O senador Rogério Carvalho também defende o fim das bets no formato atual como forma de enfrentar o endividamento das famílias.

“Nós precisamos resolver o problema do endividamento das famílias, acabando com as bets. Eu defendo hoje o fim da operação das bets do jeito que elas estão hoje”, afirmou.

Rogério também rejeita o argumento de que uma restrição às apostas poderia comprometer o futebol brasileiro. Para ele, os clubes precisam buscar outras formas de financiamento.

“Os clubes vão encontrar outra forma de sobreviver, eles não podem destruir as famílias e a destruição de vidas. É muito egoísmo dos clubes”, disse.

O senador defende ainda uma redução da dependência financeira do futebol em relação às plataformas de apostas. “Diminui, se um diminui o gasto de um, diminui o gasto de todos, e aí tudo fica igual e o campeonato vai continuar acontecendo, mas sem destruir famílias, sem destruir vidas e sem acabar com as finanças e comprometendo inclusive o mercado consumidor”, afirmou.

Para Rogério, o enfrentamento ao problema também deve envolver educação financeira, mas com uma mudança estrutural no funcionamento das plataformas. “A questão do endividamento é algo que a gente precisa com educação, educação financeira, que a gente precisa encontrar um jeito de trabalhar isso com seriedade, com muita profundidade, acabar com essas bets”, concluiu.

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