Ameaça à ciência

“Último negacionista”, Bolsonaro compromete guerra contra epidemia

Desde o início da "guerra" contra o Covid-19, Bolsonaro colecionou uma série de posições antisanitárias e anticientíficas
:: Da redação31 de março de 2020 12:15

“Último negacionista”, Bolsonaro compromete guerra contra epidemia

:: Da redação31 de março de 2020

“O movimento negacionista do coronavírus agora tem um líder” estampou em manchete a revista norte-americana The Atlantic. A revista alemã Der Spiegel já havia definido Bolsonaro como “o último negacionista”. Para a inglesa The Economist, o presidente do Brasil é o “Bolsonero”. Um “vilão internacional”, resumiu o jornal brasileiro Estadão, em editorial.

Desde o início da “guerra” contra o Covid-19, Bolsonaro colecionou uma série de posições antisanitárias e anticientíficas. Chamou o coronavírus de “gripezinha”, defendeu o retorno das crianças às aulas e combate diariamente o isolamento social. A todo momento, desafia as orientações do Ministério da Saúde e  da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao mesmo tempo em que se isolou, Bolsonaro radicalizou o movimento contrário às políticas adotadas pelos governadores e especialistas da saúde. No domingo, 29, promoveu um irresponsável “tour” pelas cidades do Distrito Federal. Em nome de um falso “direito ao trabalho”, insuflou a desobediência popular ao isolamento defendido pelas autoridades sanitárias.

Não é de agora, no entanto, que Bolsonaro tenta comprometer, ou mesmo sabotar, a luta da sociedade brasileira contra a epidemia. Em 16 de março, quando CBF decidiu suspender todos os torneios nacionais de futebol, Bolsonaro classificou publicamente a medida como “histeria”. Apenas três dias após, na Itália, um jogo da Liga dos Campeões em Bergamo transformou-se no estopim da calamidade que se abateu sobre a Lombardia.

A realidade tem levado chefes de Estado como Donald Trump, dos EUA, e Boris Johnson, do Reino Unido, a revisarem suas posições. Bolsonaro, no entanto, parece insistir em pagar para ver, em “capitalizar” politicamente. Diferente dos líderes mundiais, a contabilidade de Bolsonaro poderá resultar em trágica surpresa. O seu comportamento, em especial na última semana, poderá ser responsabilizado por centenas de mortes.

 

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