Imagem/PT na Câmara

A decisão do governo dos Estados Unidos de avançar com a proposta de impor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros provocou forte reação entre deputados da Bancada do PT na Câmara. Os parlamentares acusam diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado foragido Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de atuarem junto ao governo norte-americano para pressionar o Brasil e enfraquecer conquistas nacionais, como o Pix.
A investigação comercial concluída pelos Estados Unidos aponta o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central como um dos fatores que justificariam a adoção das medidas tarifárias. O relatório sustenta que o Brasil favoreceria o Pix em detrimento de empresas estrangeiras de pagamento eletrônico, argumento que tem sido interpretado por parlamentares e especialistas como uma tentativa de proteger interesses de grandes corporações financeiras de pagamento eletrônicos norte-americanas, como Visa e Mastercard.
Líder da Bancada do PT, o deputado Pedro Uczai (SC) classificou a situação como resultado de uma articulação política contra o próprio país. “Enquanto o Brasil tenta proteger seus empregos e sua economia, uma parcela da oposição viaja aos Estados Unidos para fazer lobby contra o próprio país. O resultado é concreto: os EUA ameaçam impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”, afirmou.
Segundo Uczai, a escalada das pressões coincidiu com a visita de Flávio Bolsonaro e aliados a Washington. “Patriotismo não se declara: se demonstra. E quem viaja para pedir punições ao próprio país está do lado errado da história”, criticou.
Pix no centro da disputa
O Pix tornou-se um dos principais alvos da investigação norte-americana. O sistema público de pagamentos, lançado em 2020, ampliou a concorrência no setor financeiro, reduziu custos para consumidores e comerciantes e diminuiu a dependência de operadoras privadas de cartões de crédito e débito.
Para o vice-líder da Maioria na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), o questionamento ao Pix evidencia a tentativa de interferência em decisões soberanas do Brasil. “O Pix é tecnologia brasileira, ampliou concorrência, reduziu custos e virou parte da vida do povo. Defender o Brasil também é defender o direito de o país decidir seus próprios caminhos”, pontuou.
A ex-ministra das Relações Institucionais do governo Lula, deputada Gleisi Hoffmann (PR), também relacionou a ofensiva norte-americana às articulações bolsonaristas. “O Brasil não pode e não vai ceder nada no Pix para as empresas americanas ficarem cobrando as taxas caríssimas dos cartões. O Pix é nosso, veio para ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro”, sustentou.
Na mesma linha, a deputada Natália Bonavides (RN) afirmou que a medida busca atingir uma ferramenta que reduziu o poder de grandes empresas internacionais de pagamentos. “Defender o Pix é defender nossa soberania. Não estamos à venda”, disse.
Acusações de traição ao país
As manifestações dos parlamentares petistas foram marcadas por críticas contundentes à atuação da família Bolsonaro. Para o deputado Paulo Teixeira (SP), o anúncio do tarifaço é consequência direta da aproximação entre Flávio Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump.
“Esse é o verdadeiro resultado do encontro de Flávio Bolsonaro com Trump: mais tarifas contra o comércio brasileiro, ataques contra o Pix e a soberania nacional”, observou.
O deputado Rogério Correia (MG) classificou a atuação do senador como uma ação “lesa-pátria”, enquanto Dimas Gadelha (RJ) resumiu a ofensiva como “traição”. “Atacar o Brasil lá fora, prejudicar nossa economia e tentar enfraquecer uma ferramenta que facilita a vida de milhões de brasileiros? Eu chamo de traição”, declarou.
Carlos Zarattini (SP) alertou que a investigação vai além das tarifas e atinge áreas estratégicas da economia brasileira. “O alvo são decisões regulatórias, o Pix, a economia digital e escolhas que cabem ao Estado brasileiro. Defender os interesses do Brasil é defender nossa soberania”, afirmou.
Também se manifestaram contra a medida as deputadas e deputados Ana Pimentel (MG), Maria do Rosário (RS), Bohn Gass (RS), Alencar Santana (SP), Zeca Dirceu (PR), Kiko Celeguim (SP), Carol Dartora (PR), Dandara (MG), Luiz Couto (PB) e Erika Kokay (DF), todos apontam o que classificam como traição à Pátria e alinhamento dos Bolsonaros a interesses estrangeiros em detrimento da economia nacional.
Disputa comercial e pressão das big techs financeiras
Embora a proposta de sobretaxação ainda dependa de consultas públicas e audiências nos Estados Unidos antes de uma decisão definitiva, o episódio evidencia uma crescente disputa internacional em torno dos sistemas de pagamentos digitais.
As críticas ao Pix já haviam aparecido em documentos da Casa Branca neste ano e refletem o desconforto de gigantes do setor financeiro, como Visa e Mastercard, diante do sucesso de um modelo público que reduziu custos para a população e ampliou a inclusão financeira.
Para os parlamentares do PT, o questionamento ao sistema brasileiro ultrapassa a esfera comercial e representa uma tentativa de pressionar o país a abrir mão de instrumentos que fortaleceram sua autonomia tecnológica e financeira.



