
O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu em pronunciamento, nesta quarta-feira (15/7), o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial. Segundo o parlamentar, a medida não deve ser analisada apenas sob o ponto de vista social, mas também como uma estratégia para elevar a produtividade, fortalecer a economia e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Paim contestou o argumento de que uma jornada menor levaria à redução da produção. Para ele, a experiência internacional demonstra justamente o contrário. As economias mais desenvolvidas alcançaram altos índices de produtividade ao investir em tecnologia, inovação, qualificação profissional e melhores condições de trabalho, e não no aumento da carga horária.
“O debate não é apenas social; ele é também econômico. A riqueza não nasce do excesso de horas; nasce da produtividade”, afirmou.
O senador destacou que cerca de 15 milhões de brasileiros ainda trabalham no regime de escala 6×1, com apenas um dia de descanso por semana. Na avaliação dele, esse modelo compromete a saúde física e mental dos trabalhadores e reduz sua capacidade de inovar e produzir.
“É possível exigir criatividade, inovação e produtividade de alguém que vive permanentemente exausto? A resposta é não”, disse.
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Paim citou estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo os quais jornadas excessivas aumentam em 35% o risco de morte por acidente vascular cerebral e em 17% o risco de morte por doenças cardíacas. As duas organizações também estimam que cerca de 745 mil trabalhadores morrem anualmente, em todo o mundo, em decorrência de doenças relacionadas ao excesso de horas trabalhadas.
O parlamentar também comparou a realidade brasileira com a de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ele, trabalhadores da Alemanha, Dinamarca e Países Baixos cumprem menos horas anuais de trabalho do que os brasileiros, mas geram mais riqueza por hora trabalhada devido aos investimentos em inovação, tecnologia e gestão eficiente.
Como exemplo, Paulo Paim citou um experimento realizado no Reino Unido, envolvendo 61 empresas e cerca de 3 mil trabalhadores. Após seis meses de teste com jornada reduzida, mais de 90% das empresas decidiram manter o novo modelo, registrando queda nos índices de estresse, afastamentos por doença e rotatividade, além da manutenção ou aumento da produtividade e, em muitos casos, do faturamento.
“Não estamos propondo trabalhar menos para produzir menos. Estamos propondo trabalhar melhor para produzir mais. Uma jornada de 40 horas semanais significa mais saúde, mais qualidade de vida, mais tempo para estudar, mais convivência familiar e empresas mais eficientes”, afirmou.



