Alessandro Dantas

No artigo do domingo passado procuramos demonstrar os avanços observados no govLula3 em relação ao poder de compra das populações de baixa renda do país, notadamente no acesso a itens básicos como o alimento. Para demonstrar o fenômeno comparamos alguns indicadores socioeconômicos recentes com a realidade dramática no período Bolsonaro. Em apenas dois anos de govLula3 a pobreza no Brasil foi reduzida em mais de 23% o que retirou de situação deplorável quase 9 milhões de pessoas. São conquistas inegáveis que, todavia, ainda estão longe de ter resolvido o desafio dos desafios da democracia no Brasil: a erradicação total da pobreza na perspectiva de uma sociedade mais homogênea no país, o que especialmente válido no nosso estado onde o quadro social se mantém abaixo da média nacional.
Pela relevância do tema optamos por dar-lhe seguimento com foco maior na execução do Bolsa Família. Antes, é oportuno destacar que os indicadores de pessoas ocupadas no Pará também se apresentam promissores, notadamente com a melhora da qualidade dessas ocupações.
Os dados do Novo Caged revelam que o Pará gerou 135.761 empregos formais entre o início de 2023 e novembro de 2025, contribuindo para que o Brasil superasse, no período, a marca histórica de 5 milhões de novos vínculos com carteira assinada.
Trata-se de um movimento relevante de formalização do mercado de trabalho, com reflexos positivos sobre a arrecadação previdenciária, a proteção social dos trabalhadores e o fortalecimento da renda das famílias.
Nesse período, a renda média mensal dos trabalhadores paraenses, que foi mais acentuado justamente entre os trabalhadores sem carteira assinada, passou de R$ 1.393 para R$ 1.720, uma elevação superior a 23%.
Sem dúvidas, esses dados positivos decorreram do maior dinamismo da economia do estado, de modo consistente com o ocorrido com o conjunto da economia brasileira. Porém, coincidindo com essa trajetória tivemos os efeitos incrementais na renda advindos do fortalecimento do programa Bolsa Família criado no govLula1 e que se tornou referência mundial nas ações de transferência de renda para a superação da pobreza.
Em maio de 2026 mais de 1 milhão e duzentas mil famílias foram atendidas pelo Bolsa Família, número que projeta a injeção, pelo governo federal, de mais de R$ 10 bilhões na economia estadual.
Esses recursos possuem elevado efeito multiplicador. Diferentemente de outras formas de gasto público, as transferências são rapidamente convertidas em consumo de alimentos, medicamentos, transporte, vestuário e serviços básicos.
Nos pequenos e médios municípios, especialmente aqueles mais dependentes do setor público, o Bolsa Família constitui uma das principais fontes de dinamização da atividade econômica local.
Além do impacto econômico imediato, o programa produz efeitos estruturais por meio de suas condicionalidades. Na área da educação, mais de 1,4 milhão de crianças e adolescentes beneficiários são acompanhados regularmente no estado. Cerca de 98% dos estudantes acompanhados apresentaram frequência escolar acima do mínimo exigido. Na área da saúde, 83% do público com perfil de acompanhamento foi monitorado em 2025 pelas equipes de saúde. Entre as gestantes beneficiárias, 99,9% mantinham o pré-natal em dia. Entre as crianças acompanhadas, 98% cumpriram as exigências relacionadas à vacinação e ao acompanhamento nutricional.
Assim, o Bolsa Família não atua apenas no combate à pobreza atual, mas também na redução da pobreza das próximas gerações. Portanto, a realidade demonstra a falsa oposição entre transferência de renda e geração de emprego. O que se observa no Pará é justamente o contrário: a proteção social garante condições mínimas de dignidade e desenvolvimento humano, enquanto o crescimento econômico amplia as oportunidades de trabalho e renda.



