Investigação

Contarato defende atuação da CPI do Crime Organizado no caso Master

Parlamentar questionou interferências em decisões da comissão e aponta indícios de ligação entre instituição financeira e investigações sobre lavagem de dinheiro

Agência Senado

Contarato defende atuação da CPI do Crime Organizado no caso Master

O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou nesta quarta-feira (25/3) decisões monocráticas do Poder Judiciário que, segundo ele, têm interferido diretamente nos trabalhos do colegiado.

Durante a reunião, o parlamentar também defendeu a inclusão do Banco Master no escopo das investigações da CPI do Crime Organizado, citando possíveis conexões com esquemas de lavagem de dinheiro. Na oportunidade, os parlamentares ouviram o depoimento do ex-senador Pedro Taques.

O senador afirmou não considerar “razoável” que decisões colegiadas da CPI — como a transferência de dados, convocações de depoentes e deliberações regimentais — sejam posteriormente invalidadas por decisões individuais do Judiciário.

Segundo ele, o colegiado, formado por senadores eleitos, representa a vontade popular e deve ter suas prerrogativas respeitadas.

“Nós somos eleitos pelo povo. São senadores que representam a população brasileira”, declarou, ao questionar o que classificou como resistência quando investigações atingem setores de maior poder econômico.

O parlamentar também destacou a gravidade das denúncias sob apuração, mencionando prejuízos que afetaram “milhões de brasileiros”.

“Muitos me questionam: ‘Ah, mas por que a CPI do Crime Organizado vai apurar a atuação do Banco Master?’ É CPI do Crime Organizado. Tem um plano de trabalho que especifica e um dos itens é: lavagem de dinheiro, fintechs, escritórios de advocacia. Tem a operação Carbono Oculto, que flagrou a Reag com lavagem de dinheiro com o PCC. Tem uma interligação entre gestores da Reag e o Banco Master”, detalhou o senador.

De acordo com o senador, esses indícios de interligação entre gestores da Reag e o Banco Master, justificaria o aprofundamento das investigações pela CPI.

Em seu depoimento, Pedro Taques — que atua como advogado representante de sindicatos de servidores do estado do Mato Grosso — apresentou uma série de dados que teriam relação com consignados realizados pelos servidores do estado, fundos ligados ao Banco Master e, até mesmo, a concessão da BR-163, um dos principais eixos logísticos do Brasil, mas também frequentemente utilizada como rota para o tráfico de drogas e mercadorias ilícitas.

O depoente afirmou que o conceito de organização criminosa não pode mais ser associado a um perfil específico. Segundo ele, não é possível falar em organizações criminosas apenas de pretos e pobres ocupando favelas.

Atualmente, esses grupos têm se infiltrado em diferentes esferas institucionais, inclusive na política.

“[As organizações] preparam candidatos para concurso público, mas também as facções criminosas, as organizações adentram onde tem dinheiro, onde tem dinheiro e o custo-benefício é mais barato do que fazer tráfico de drogas”, apontou.

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