Viana:é inaceitável Banco Central dirigido por quem comandava bancos privados

Viana:é inaceitável Banco Central dirigido por quem comandava bancos privados

Viana: quem é que vai defender um cidadão que tem que pegar um empréstimo bancário? Foto: Pedro França/Agência SenadoCom o País novamente mergulhado em uma crise econômica, é inaceitável que o comando do Banco Central do Brasil – em última instância, da economia – seja entregue pelo governo interino aos setores que, até recentemente, dirigiam instituições como o Itaú e o Bradesco. “Eles serão os responsáveis pela política de juros, pela política que possa nos trazer alguma estabilidade econômica”, alerta o senador Jorge Viana (PT-AC), quando os bancos aos quais serviam são os únicos a lucrar bilhões com o atual cenário.

Em pronunciamento ao plenário nesta quarta-feira (6) Viana criticou duramente o açodamento do governo interino de Michel Temer que, antes de o Senado tomar uma decisão sobre o impeachment da presidenta Dilma, já tratou de indicar quatro novos diretores para o Banco Central, aprovados pela Casa na sessão deliberativa da última terça-feira (5) – eles haviam sido sabatinados pela Comissão de assuntos Econômicos ainda na manhã de ontem.

“Quem vai defender o cidadão que usa um cartão de crédito? Quem é que vai defender um cidadão que tem que pegar um empréstimo bancário?”, questionou o senador, para quem a taxa de juros praticada no País, atualmente em 14%, é extremamente lesiva aos cidadãos comuns. “É um absurdo esse assalto ao bolso do contribuinte que precisa de algum crédito”. Só os bancos se beneficiam dos juros e da crise econômica.

Para Viana, é urgente estimular uma concorrência aos grandes bancos, por exemplo, por meio do apoio às cooperativas de crédito. “Elas existem, têm função diferente dos bancos, mas cumprem o mesmo papel: emprestar dinheiro, socorrer que, precisa pagar suas contas pessoais ou mesmo busca um investimento para montar alguma atividade produtiva”.

O senador citou o exemplo da França, onde 60% do crédito do país passam pelas cooperativas de crédito. A Cooperativa de Crédito Agrícola francesa, a maior do mundo, está entre os 50 maiores bancos do planeta e movimentou, há cinco anos, US$3,5 trilhões. A Alemanha, maior economia da Europa, tem mais de US$1,5 trilhão dos seus recursos financeiros administrados por cooperativas. São 16 milhões de associados às cooperativas de créditos, naquele país. Na França, os associados passam de 20 milhões.

No Brasil, acredita Viana, esse tipo de crédito seria alternativa “para fugirmos dessa ação criminosa dos bancos, que assaltam o bolso do contribuinte, cobrando as maiores taxas de juros de cartão de crédito, perto de 500%”. Ele lembra o impacto de uma taxa de juros 311% ao ano cobrada no cheque especial. “Quem é que paga juros de cartão de crédito? Quem pode menos. Quem precisa mais”.

“Quando é que nós vamos fazer algo para que o contribuinte pare de pagar 311%? Quando vamos parar de pagar 470% no uso do cartão de crédito? Quando é que o Brasil vai deixar de ser um país que alimenta os bilhões, as dezenas de bilhões de lucro, de três, quatro, cinco bancos, e deixa no desprezo, na ausência das políticas públicas, dos incentivos, as cooperativas de crédito?”, questionou Viana.

Seguramente, ressaltou ele, não será agora, com a condução de representantes dos grandes bancos para definir as políticas de juros no Banco Central. Basta lembrar que na maior crise recente enfrentada pelo povo brasileiro, em 2015, o lucro do Itaú Unibanco foi de R$23 bilhões, o do Bradesco foi de R$17 bilhões.

“Nós temos que mudar de lado. Sinceramente, o País vai para o fundo do poço se seguir nessa marcha da insensatez”, afirmou o senador.

Cyntia Campos

Leia mais:

 

Dilma: “Os que forem dignos e honestos não deixarão de sentir o peso da vergonha”

To top