“Este não é um julgamento justo, mas um justiçamento político”, diz Ângela

:: Rafael Noronha30 de agosto de 2016 19:59

“Este não é um julgamento justo, mas um justiçamento político”, diz Ângela

:: Rafael Noronha30 de agosto de 2016

Ângela: “Os donos do poder vão tentar nos convencer de que é bom trocar a saúde pública pela saúde privada”“Esta sessão pode acabar como a mais triste para a história da democracia brasileira”, disse a senadora Ângela Portela (PT-RR), nesta terça-feira (30), em plenário, na reta final da sessão que pode afastar definitivamente a presidenta Dilma Rousseff do cargo que obteve nas eleições de 2014, com mais de 54 milhões de votos.

A senadora destacou que, nos últimos meses, tem trabalhado incansavelmente para denunciar à Nação o processo absurdo de criminalização de um governo de uma mulher honesta e legitimamente eleito com uma agenda de resgate da dívida social brasileira.

“Trata-se de um golpe parlamentar urdido a partir de uma trama que envolve os derrotados das eleições de 2014 e parlamentares comprovadamente envolvidos em corrupção”, disse a senadora.

Ela criticou os que descrevem o processo como um “golpe suave”. Para a senadora, talvez este seja o golpe mais brutal que vivemos” por fazer uso das leis do País, agredir a soberania popular e conduzir as instituições ao descrédito”.

Assim, consumado o golpe, estará  criado um perigoso precedente que colocará em risco a estabilidade de prefeitos, governadores e outros presidentes do País. “Esse não é um julgamento justo, mas um justiçamento político onde a condenação antecede o processo, as provas são desprezadas e o debate é inútil”, enfatizou.

No momento em que o voto popular se aproxima de seu funeral e que um governo antipopular e ilegítimo pode ser sagrado por um colégio popular de 81 senadores, a senadora alertou para os próximos passos a serem dados pelos golpistas no sentido da retirada de direitos consagrados.

“Os donos do poder vão tentar nos convencer de que é bom trocar a saúde pública pela saúde privada, que é bom ter um ambiente de ensino em que o professor não tem liberdade e que é bom pagar a universidade que hoje é pública”, lamentou

Em 13 anos de governos do PT, resumiu Ângela, o povo pobre finalmente teve voz e vez. Teve trabalho, renda, moradia, mais educação, mais atendimento médico. Viveu o sonho de ver os filhos na universidade, inclusive, no exterior. Viveu o sonho que está ameaçado.

 

Rafael Noronha

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