Fundo do poço

Governo alardeia PIB fake e desempregados pagam conta

Com menos direitos e garantias trabalhistas, os brasileiros também estão ganhando menos, apesar das promessas em contrário dos defensores da reforma trabalhista
:: Cyntia Campos30 de agosto de 2019 16:13

Governo alardeia PIB fake e desempregados pagam conta

:: Cyntia Campos30 de agosto de 2019

O governo Bolsonaro está soltando foguetes, mas a propalada “recuperação da economia” no segundo trimestre de 2019 é a mais pífia dos últimos 40 anos: apenas 0,4% — uma gotinha no deserto onde 30 milhões de brasileiros continuam privados de trabalho e salário e de um quadro econômico que registra queda média anual de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro anos.

Esse raquítico crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, maio e junho afasta o País de uma recessão técnica, fruto de uma variação puxada, principalmente, pela taxa de investimento de 15,9%, 3,2% acima do trimestre anterior.

Informalidade avança
Mas o saltinho no PIB nem tinha esquentado lugar nas manchetes desta sexta-feira (30) quando veio o balde água fria: o desemprego até caiu, mas às custas do acentuado aumento do trabalho informal e da queda da renda de quem conseguiu trabalhar no período.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou hoje os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) referente aos meses de maio, junho e julgo o total de empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada atingiu 11,7 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012.

Trabalho fragilizado
Na variação anual do número de empregados, o quadro permanece estagnado: o desemprego caiu de 12,5% para 11,8% de abril para julho, mas 12,6 milhões ainda buscam trabalho. Citado pela revista CartaCapital, o analista socioeconômico do IBGE Jefferson Mariano avalia que “o destaque da PNAD vai para o aumento expressivo de trabalhadores informais e por conta própria, contingente que cresceu mais de 1,2 milhão de pessoas em relação ao mesmo período de 2018.

“Entre eles, estão a classe das relações de trabalho fragilizadas, como os ambulantes e empregados de negócios pequenos sem carteira assinada, e os que participam do que vem sendo chamado de uberização do emprego – motoristas de aplicativo e entregadores fazem parte desse ramo”, explica a revista.

Renda também cai
Com menos direitos e garantias trabalhistas, os brasileiros também estão ganhando menos—apesar das promessas em contrário dos defensores da reforma trabalhista. O rendimento médio real recebido foi de R$ 2.286, no trimestre de abril a junho de 2019 – uma queda de 1,0% frente ao trimestre anterior e estabilidade em relação ao mesmo trimestre de 2018.

Jefferson Mariano alerta que essa queda de salários não é exclusiva para quem está na informalidade.

Investimento ainda aquém
Em relação aos festejos governistas da sutil variação de 0,4% no PIB, o jornal El País aponta, em reportagem desta sexta-feira, que o principal motor do alívio—o investimento—ainda está “aquém do necessário para estimular um círculo virtuoso da atividade econômica”.

Afinal, o investimento, no Brasil, ainda é um dos menores do mundo. Em 2018, essa taxa foi de 15,8%, a menor em 50 anos. “Apenas 19 países ficaram atrás do Brasil no ano passado, entre eles o Sudão do Sul, a Venezuela e a Nigéria”.

Perdendo para a Argentina
Até a Argentina, que enfrenta uma crise econômica devastadora — acaba de declarar moratória e teve uma queda no PIB em 2018 de 2,8% — teve taxa de investimentos maior que a do Brasil em 2018, com 20%.

O investimento é medido pelo indicador chamado de Formação Bruta de Capital Fixo, que afere a destinação de recursos para a aquisição de máquinas e equipamentos, e para projetos de construção (novas fábricas, por exemplo) e inovação.

Maior crise da história
Os economistas já apontam que esta década será a pior da história do capitalismo no Brasil —o período mais difícil desde 1880.

“Nos últimos quatro anos, o PIB brasileiro recuou, em média, 1,2% ao ano, em termos reais, algo sem precedentes na história brasileira”, apontam os economistas Marcel Balssiano e Juliana Carvalho da Cunha Trece, em artigo publicado no blog do Instituto Brasileiro de Economia, instituição ligada à Fundação Getúlio Vargas.

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