Alta do desemprego

Governo dá as costas para a juventude e desemprego bate novo recorde: 31,4%

Diferença entre a taxa de desemprego dos jovens de 18 a 24 anos e da média dos brasileiros ativos atingiu 16,4 pontos percentuais no segundo trimestre. Situação é crítica e vem piorando nos últimos anos. Nível de ocupação despenca e agrava a crise social para 2021. E Guedes? Finge que não tem qualquer ligação com o problema e se omite.
Governo dá as costas para a juventude e desemprego bate novo recorde: 31,4%

Arte Agência PT

A alta do desemprego é dramática no Brasil de Jair Bolsonaro, agravada pela pandemia do Covid-19, mas que já vem dando sinais de deterioração há quatro anos, quando Michel Temer promoveu um ataque aos direitos dos trabalhadores com a famigerada reforma trabalhista, continuada pelo ministro Paulo Guedes. O número recorde de desempregados no país é de 14,6%, de acordo como IBGE, mas entre os jovens de 18 a 24 anos o número já é mais do que o dobro: 31,4%. E o que diz o governo? De acordo com fontes da equipe econômica de Paulo Guedes, a taxa geral de desempregados deve chegar a 18% em 2021. Isso significa quase 20 milhões de desempregados no próximo ano. Não há precedentes para a quebra global do mercado de trabalho no Brasil.

Os dados do desemprego entre os jovens são do 3º trimestre de 2020, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD). É o quadro mais dramático entre os jovens, porque a crise no mercado de trabalho tende a se agravar a partir de 2021, ampliando a desigualdade e a miséria. Na faixa etária de 14 a 17 anos, jovens que podem trabalhar sob condições específicas, como é o caso do menor aprendiz, a taxa de desemprego do trimestre de julho a setembro foi maior ainda (44,2%). Já entre os trabalhadores e trabalhadoras entre 25 a 39 anos, a taxa ficou em 14,2%.

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), responsabiliza diretamente o presidente da República, Jair Bolsonaro, pelo descalabro no mercado de trabalho. “O que explica uma inflação de 3,54% em meio à uma retração econômica de 4,5% do PIB, quando o desemprego dispara e as famílias consomem menos?”, questiona. “Falta um presidente que impeça os patrióticos empresários aumentarem os preços para manter o lucro, apesar da queda nas vendas”, criticou, apontando a omissão direta do governo diante do aumento da crise. A mesma posição tem o deputado Paulo Pimenta (PT-RS): “Sem medidas de incentivo à economia, país continuará mergulhado na crise, diante da falta de rumo do governo da extrema-direita”.

Faltam políticas públicas

A falta de trabalho para a juventude ameaça o futuro e amplia a situação de precariedade em amplos segmentos da população brasileira. De acordo com o IBGE, os jovens trabalham em ocupações bastante precárias, as mais atingidas em épocas de crise e de pandemia. A avaliação da CUT é que faltam políticas públicas para assegurar postos de trabalho para os mais jovens. “Num cenário de crise, muitos mais jovens que não estavam no mercado de trabalho acabam saindo para procurar trabalho a fim de ajudar no orçamento das famílias, contribuindo assim para o aumento dos índices de desemprego”, explica Adriana Marcolino, técnica da subseção do Dieese da CUT.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que a pandemia terá efeitos catastróficos na juventude. A entidade fala em “geração perdida”. Os que estão entrando no mercado de trabalho vão ingressar em condição muito precária e fragilizada, ainda mais porque muitos estão fora da escola e não têm mais oportunidade de estudar. “É um segmento da população que foi atingido de forma contundente”, diz Adriana.

Apesar das taxas de desocupação de jovens serem maiores, eles são minoria no mercado de trabalho, o conjunto das pessoas que compõem a força de trabalho, ocupadas ou desocupadas. A população na força de trabalho no terceiro trimestre deste ano foi de 96,5 milhões de pessoas – queda de 9,2% (menos 9,8 milhões de pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2019.

De acordo com a Pnad, a população desempregada, de 14,1 milhões de pessoas, subiu 10,2% (mais 1,3 milhão de pessoas) no terceiro trimestre em relação ao  2ª trimestre, quando haviam 12,8 milhões de trabalhadores sem emprego. Já a população ocupada, que é calculada em 82,5 milhões de pessoas, chegou ao patamar mais baixo da série histórica registrada pelo IBGE. O contingente caiu 1,1%. São menos 880 mil trabalhadores ocupados em relação ao trimestre anterior. E menos 11,3 milhões se a situação for comparada ao mesmo trimestre de 2019.

Da Redação, com informações da CUT

 

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