país em crise

Inflação de 10,42% nos últimos 12 meses sufoca os mais pobres

Preços de alimentos lideram altas para quem ganha menos (INPC). O índice geral (IPCA) se aproxima dos dois dígitos (9,68%), pressionado pela alta de combustíveis. Variação de agosto é o maior em 21 anos. Para senadores, caos institucional patrocinado pelo presidente e seus apoiadores busca camuflar a tragédia econômica
:: Flávio Faria9 de setembro de 2021 17:46

Inflação de 10,42% nos últimos 12 meses sufoca os mais pobres

:: Flávio Faria9 de setembro de 2021

A alta da inflação divulgada nesta quinta-feira (9) pelo IBGE é mais uma demonstração de que Bolsonaro perdeu o controle da economia do país e busca desviar o foco com ataques à democracia e conflito entre poderes. A conclusão é dos senadores do PT, para quem o presidente perdeu a condição de governar.

A inflação superou os dois dígitos e atingiu 10,42% nos últimos 12 meses para as famílias mais pobres, que ganham entre 1 e 5 salários mínimos (INPC). Na aferição do mês passado, esse índice foi de 9,85%. Pior: para essas famílias, o que mais pesou foram os preços dos alimentos, que subiram 1,29% só em agosto (em julho, haviam subido 0,66%). Todas as regiões pesquisadas registraram alta em agosto.

Já o IPCA, que mede a variação de preços em geral, registrou aumento de 0,87% em agosto, o maior resultado para este mês em 21 anos (em 2000, antes do governo Lula). A política de preços de combustíveis atrelados ao dólar permanece provocando estrago no bolso do consumidor. A gasolina, que subiu 2,8%, foi o item com maior impacto individual. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice beirou os dois dígitos, chegando a 9,68%, com alta em todas as regiões metropolitanas pesquisadas.

Foto: Alessandro Dantas

Para o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), a série de ações antidemocráticas de Bolsonaro, seus ministros e apoiadores têm o objetivo de camuflar dados como os divulgados pelo IBGE.

“A propagação de mentiras e ataques às instituições democráticas não são à toa. Servem para mascarar os verdadeiros problemas deste país: inflação nas alturas, povo passando fome e economia em ruínas”, afirmou. Para o senador, “tirar Bolsonaro do poder é a única forma de resgatar o Brasil deste buraco sem fundo”.

“A inflação é a maior em 20 anos; Bolsa de Valores em queda; juros nas alturas; dólar em alta; PIB caindo. O real está entre as moedas mais desvalorizadas do mundo. O setor produtivo pede socorro. O governo não tem controle sobre a economia”, resumiu o senador Paulo Paim (PT-RS), que tem a mesma visão do líder da bancada.

“O governo esconde debaixo do tapete os problemas do país: 19 milhões de famintos, 62 milhões na pobreza e na miséria, 120 milhões em insegurança alimentar. Em média, 15 pessoas morrem por dia de fome. São mais de 20 milhões de desempregados e desalentados”, lamentou.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), o atual presidente representa “a destruição do país”, da economia e da democracia. “Bolsonaro continua promovendo o caos e o estrangulamento da nossa economia. Tudo piora: desemprego, inflação, desigualdade social. E, depois dos atos golpistas de 7 de Setembro, ele ainda comanda um movimento de caminhoneiros”, afirmou

Resultado mostra o pior dos mundos

O assessor econômico da Liderança do PT, Bruno Moretti, explica que o levantamento do IBGE mostra o “pior dos mundos” para o país e para a população.

“É um resultado bastante preocupante. Mostra mais uma vez o equívoco na política da Petrobras, que dolariza os preços dos combustíveis. No acumulado de 12 meses o índice está chegando aos dois dígitos. E a energia e os alimentos seguem pressionando a inflação. Isso mostra que não temos inflação de demanda, ou seja, oriunda do aumento do poder de consumo. Pelo contrário, temos uma inflação de oferta”, alertou Moretti.

Segundo ele, essa situação pode gerar descontrole, uma vez que o remédio comumente adotado pelo Banco Central é o aumento da taxa básica de juros (Selic), o que pressionará o custo dos empréstimos, deprimindo o consumo, o investimento e aumentando o custo da dívida pública.

“O resultado é redução da renda real dos mais pobres, ao mesmo tempo em que o elevadíssimo desemprego reduz a renda do trabalhador. Enquanto isso, transfere renda aos rentistas e credores da dívida publica, na medida em que os juros da dívida sobem”, afirmou.

Bruno Moretti chama a atenção ainda para um índice pouco valorizado, mas nem por isso menos importante: o de difusão da inflação, que mostra como os aumentos estão espalhados pelos diversos setores da economia. Esse índice era de 64% em julho passou para 72% em agosto, o que torna ainda mais difícil a recuperação do país por envolver uma quantidade maior de áreas.

“Ou seja, a inflação está bastante disseminada entre o conjunto de bens e serviços da economia, reforçando os equívocos do governo nas políticas para combustíveis, energia e alimentos”, completou.

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