SAÚDE

Lula sanciona o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19

Nova lei homenageia os mais de 700 mil brasileiros mortos na pandemia e reforça a importância da ciência e do SUS

Ricardo Stuckert

Lula sanciona o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19

O presidente Lula sancionou nesta segunda-feira (11/5), em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, a ser lembrado anualmente em 12 de março.

O texto que deu origem à lei é de autoria do deputado Pedro Uczai e contou com a relatoria, no Senado, do senador Humberto Costa. A data foi escolhida por marcar o registro da primeira morte pela doença no Brasil, ocorrida em 2020.

A proposta busca homenagear os mais de 700 mil brasileiros que perderam a vida durante a pandemia, além de promover a reflexão sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), da ciência e das políticas públicas de imunização.

Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a criação do Memorial da Pandemia. Segundo ele, uma exposição itinerante começará nesta semana em várias capitais do país para relembrar a população sobre o período de emergência sanitária causado pela Covid-19.

Uma das instalações do memorial expõe os nomes, as idades e as regiões de origem das mais de 700 mil vítimas da doença. “É a primeira vez que conseguimos recuperar essa informação, para que ela permaneça na memória da população e para que possamos personificar o sofrimento vivido naquele período”, explicou.

Durante a tramitação da proposta na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Humberto Costa alertou que “o avanço do negacionismo científico tornou-se um dos fatores mais nocivos ao enfrentamento da crise”. Segundo o senador, a desinformação comprometeu a adesão da população a medidas essenciais e atrasou a vacinação em larga escala.

“Estas práticas não só ampliaram o impacto da doença, como também revelaram como a manipulação política pode ameaçar vidas”, afirmou na ocasião.

Na cerimônia desta segunda-feira, Alexandre Padilha também lembrou que muitas famílias brasileiras perderam parentes durante a pandemia e associou o elevado número de mortes à postura adotada pelo governo federal à época.

“Sabemos que as 700 mil mortes no país não teriam acontecido se tivéssemos, na presidência da República, alguém como Lula, que defende a vida, a ciência, fortalece o SUS e respeita a dor do outro. Tenho certeza de que não haveria chacota com quem estava com falta de ar em Manaus, nem declarações de que quem tomasse vacina poderia virar jacaré, tampouco ações para atrasar a aprovação de vacinas pela Anvisa”, declarou.

Ao discursar na cerimônia, o presidente Lula afirmou que a criação de um memorial só faz sentido se também servir para registrar responsabilidades pelo que ocorreu durante a pandemia.

“Eu nunca, pessoalmente, acusei o ex-presidente. Eu partia do pressuposto de que ele pudesse não entender nada, porque as falas dele na televisão demonstravam uma ignorância absoluta sobre o assunto. Mas ele deveria, pelo menos, ouvir quem sabe. Cobrava-se que ele ouvisse os principais cientistas brasileiros para que o Estado tivesse uma orientação”, disse.

“Quando decidimos escolher um dia [para a homenagem], é preciso que a gente comece a dizer os nomes das pessoas que participaram disso. As pessoas precisam saber quem foram os responsáveis por fortalecer a ignorância do presidente no trato de uma pandemia”, emendou Lula.

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