"Fraca" e sem provas

Para influenciar eleições, Moro usou delação “fraca” de Palocci

Mesmo achando que delação não trazia provas, ex-juiz vazou acordo para prejudicar Fernando Haddad
:: Agência PT de Notícias29 de julho de 2019 12:58

Para influenciar eleições, Moro usou delação “fraca” de Palocci

:: Agência PT de Notícias29 de julho de 2019

Nova reportagem da Folha de S.Paulo em parceria com The Intercept Brasildivulgada nesta segunda-feira (29), aponta que a decisão do então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba Sergio Moro de divulgar parte da delação de Antonio Palocci teve como objetivo influenciar as Eleições 2018. Apesar de achar que a colaboração premiada era ‘fraco’ e sem provas, o hoje Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro(PSL) vazou o acordo para imprensa e influenciou a disputa eleitoral.

Os diálogos divulgados pela Folha mostram ainda que os procuradores da Lava Jato criticaram a negociação feita entre o delator e a Polícia Federal. Para os membros do Ministério Público Federal (MPF), Palocci não apresentou nenhuma prova do que afirmava. “Não só é difícil provar, como é impossível extrair algo da delação dele”, afirmou a procuradora Laura Tessler. “O melhor é que [Palocci] fala até daquilo que ele acha que pode ser que talvez seja”, acrescentou Welter.

As mensagens examinadas pela “Folha” e pelo “ Intercept” mostram que os procuradores da Lava Jato encerraram as negociações. O delator, por sua vez, negociou um acordo com a PF, que foi homologado em junho de 2018 pelo juiz João Pedro Gebran Neto, relator da operação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Com a decisão, o TRF-4 permitiu que Palocci fique com R$ 45 milhões. O MPF se manifestou contra.

Homologada, Moro divulgou a delação de Palocci no dia 1º de outubro, uma semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018. O assunto ocupou quase nove minutos do Jornal Nacional, da TV Globo. A reportagem citou duas vezes a ligação do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli com a campanha do então candidato presidencial do PTFernando Haddad, que aparecia em segundo lugar na corrida eleitoral, bem atrás de Bolsonaro.

A própria Folha de S. Paulo e outros jornais publicaram, nos dias seguintes, a delação vazada por Moro e o assunto foi explorado na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

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