Alessandro Dantas

Com a aproximação das disputas eleitorais, principalmente para a presidência da República, e tendo em vista a história de conduta mistificadora do candidato da extrema direita, considero oportuno que dediquemos uma pequena série de artigos, neste espaço, para análises temáticas distintivas entre o governo do “pai do 01, ou 00” e o govLula3. Por óbvio, análises superficiais, mas rigorosas nos argumentos.
Entendemos a iniciativa como relevante porque não bastasse a ‘certidão de nascimento’ como única e exclusiva credencial para a pretensão presidenciável de Flávio Bolsonaro, sua campanha tem se baseado em narrar ficções do governo do pai e ataques baixos ao presidente Lula.
Rebater o “01” pode ser uma conduta defensiva o que não é aconselhável em uma disputa política, mas o exercício se impõe para esclarecer os eleitores e os leitores e como vacina para as fake News celebrizadas com as campanhas do “00”.
Conforme a disponibilidade mais fácil aos dados, tentaremos incluir no comparativo nacional indicadores das políticas abordadas, no estado do Pará. Inauguremos essa proposta abordando o crédito rural por se tratar de tema estratégico para o Brasil, e de pauta que incide em setor com presença acentuada de pessoas de boa-fé alinhadas ao bolsonarismo, provavelmente pelos efeitos da intensidade de fake news.
Dito isso, segundo o Banco Central, os recursos efetivamente aplicados pelo crédito rural no govLula3 (R$ 381.4 bilhões em média anual) foram 37% maiores que no período Bolsonaro.
Não à toa, na média anual, o PIB da agropecuária cresceu 0.9% durante o governo Bolsonaro, enquanto no Lula3, até 2025, essa taxa foi de 8%.
Especificamente para o Pronaf, que é o programa que financia a agricultura familiar, os recursos aplicados pelo govLula3 saltaram, na média por safra, de R$ 39.2bilhões no período Bolsonaro, para 65 bilhões de Reais, ou seja, um crescimento de 66%.
Junto com a expansão dos recursos ocorreu também o incremento de 27.1% no número de contratos de crédito rural no govLula3.
Atestando o ciclo de boom do crédito rural no governo Lula 3, os desembolsos do BNDES para o setor alcançaram a média anual de 53.4 bilhões de Reais, fato que representou um crescimento de 139% em comparação com os tempos de Bolsonaro.
Porém, não adianta ampliar os recursos do crédito aos agricultores sem taxas de juros compatíveis com a atividade.
Para tornar isso possível o Tesouro Nacional no govLula3 subsidiou as taxas de juros, com gastos, em média, de 20.7 bilhões de Reais por ano, valor 65% maior que o observado no governo Bolsonaro.
Para a agricultura familiar, os gastos do governo Lula3 para baratear os juros cresceram 105%, chegando na média de 8.7 bilhões por ano. Ou seja, todos os agricultores do Brasil, pequenos médios e grandes, foram muito mais beneficiados no govLula3.
A prioridade absoluta conferida à agricultura brasileira pelo governo Lula demonstrou a irrelevância dos “incentivos” setoriais proporcionados por Bolsonaro. De cordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no cômputo geral, o apoio médio anual aos agricultores pelo govLula3 foi de 13.3 bilhões de dólares, valor 149% acima ao observado no período Bolsonaro.
Ainda que precisemos avançar mais, no Pará, da última safra do período Bolsonaro para a primeira do Lula3, a participação do estado no crédito rural subiu de 2.2% para 2.6%. Esse crescimento relativamente modesto na participação do Pará, todavia significou a ampliação dos recursos do crédito rural no estado, de 8.2 bilhões de Reais para 9.4 bilhões de Reais.
Portanto, os dados da realidade demonstram o salto significativo observado no govLula3 na execução da política do crédito rural no Brasil e no Pará em benefício de todos os agricultores independe do porte. Definitivamente não é pelo crédito que se explica a opção legítima, mas estranha, de adesão ao bolsonarismo por parcela de grandes agricultores.



