Investigação

Contarato anuncia nova fase de investigação da CPI do Crime Organizado

Colegiado votará requerimentos que podem abrir caminho para investigação do caso Banco Master

Alessandro Dantas

Contarato anuncia nova fase de investigação da CPI do Crime Organizado

O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou nesta terça-feira (24/2) que o colegiado iniciará uma nova fase de investigações, classificada por ele como “um passo histórico”.

Na reunião marcada para amanhã (25/2), serão votados requerimentos de convocações, convites, quebras de sigilo e pedidos de informações. Caso aprovados, segundo Contarato, os instrumentos permitirão aprofundar a apuração sobre “os tentáculos do crime organizado”.

“Como costumo dizer, tentáculos que se infiltram nas estruturas econômicas, financeiras e tecnológicas, corroendo o tecido social e lesando milhões de brasileiros”, afirmou.

Uma das linhas de investigação que poderá ser aberta com a aprovação dos requerimentos é a apuração envolvendo o Banco Master e supostas fraudes relacionadas à instituição financeira.

“Trata-se de fraudes bilionárias, um rastro de prejuízos que impactou 1,6 milhão de clientes. Aposentados viram ruir suas economias, famílias perderam o que haviam construído com sacrifício, trabalhadores foram deixados sem amparo”, disse.

“Esses esquemas abusam da confiança para alimentar ambições ilegítimas. Alimentam um sistema que rouba não apenas dinheiro, mas a dignidade e a esperança. Não podemos tolerar isso. Não haverá proteção para quem trafega nas sombras”, completou.

Depoimento considerado insuficiente

Na oitiva desta terça-feira, o colegiado ouviu a diretora de Políticas Públicas da Meta para a América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves. A empresa é responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp.

Durante a apresentação das ferramentas de combate a fraudes cometidas por meio de suas plataformas, Yana informou que, no primeiro semestre do ano passado, a Meta detectou e desarticulou quase 12 milhões de contas associadas a centros criminosos de golpes no Facebook, Instagram e WhatsApp, a partir da colaboração com autoridades policiais e instituições parceiras ao redor do mundo.

Senadores coletam depoimento de representante da Meta. Foto: Alessandro Dantas

Questionada pelos senadores sobre dados específicos relacionados ao Brasil — um dos países com maior número de usuários das plataformas —, a representante afirmou não dispor das informações detalhadas por país.

“Eu tenho muita dificuldade em considerar essa resposta razoável. Imagino que o Brasil seja um dos três ou quatro maiores mercados da empresa, globalmente, em número de usuários – deve estar por aí -, e você não saber a quantidade de contas… Esta seria uma das perguntas: quais são as métricas para o Brasil? Quantas contas removidas no Brasil? E a senhora já me antecipa que não tem esse dado”, criticou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI.

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