Direitos Humanos

Paulo Paim alerta para avanço do extremismo e defende combate ao nazifascismo

Senador afirmou que a democracia exige reação firme contra o racismo, o nazifascismo e toda forma de intolerância

Alessandro Dantas

Paulo Paim alerta para avanço do extremismo e defende combate ao nazifascismo

O senador Paulo Paim (PT-RS) fez um pronunciamento em plenário nesta terça-feira (7/7) para alertar sobre o crescimento de movimentos extremistas e defender o fortalecimento da democracia, dos direitos humanos e das políticas de combate ao racismo e à intolerância.

Durante o discurso, Paim citou uma marcha realizada em Washington no último dia 4 de julho, quando cerca de 400 integrantes de um grupo supremacista branco desfilaram pelas ruas da capital norte-americana usando máscaras, uniformes e bandeiras confederadas.

“Não podemos tratar esses episódios como fatos isolados. O nazismo, o fascismo, o supremacismo branco e todas as ideologias de ódio não começam em campos de concentração. Começam com palavras, com símbolos, com a normalização da violência e com a desumanização do outro”, afirmou.

O senador destacou uma fotografia que circulou internacionalmente mostrando uma jovem negra dentro de um vagão de metrô cercada por homens mascarados ligados ao grupo extremista. “Foi um retrato cruel do medo que o racismo e o extremismo ainda são capazes de produzir em pleno século XXI”, disse.

Preocupação com o Brasil

Paim afirmou que o Brasil também precisa enfrentar o avanço de grupos extremistas. Ele mencionou estudos da antropóloga Adriana Dias que apontavam, em 2022, a existência de cerca de 530 células neonazistas em atividade no país.

“Esses números não podem ser ignorados. Eles demonstram que o discurso de ódio atravessa fronteiras, utiliza as redes sociais, recruta jovens e procura transformar preconceito em ação política”, afirmou.

O senador ainda relatou ter sido alvo de grupos neonazistas em Porto Alegre em 2010, quando investigações policiais encontraram materiais em que ele era citado como inimigo por defender a igualdade, a democracia e os direitos humanos. “Se hoje continuo nesta tribuna, é porque acredito que o medo jamais pode vencer a democracia”, declarou.

Ao defender o combate ao nazifascismo, Paim ressaltou que a legislação brasileira criminaliza o racismo e a apologia ao nazismo, mas afirmou que apenas a punição legal não é suficiente.

“Precisamos investir em educação, memória, cultura, direitos humanos e cidadania. Precisamos fortalecer as instituições democráticas e enfrentar a desinformação”, afirmou.

O parlamentar também disse que as novas gerações precisam conhecer os horrores do Holocausto, da escravidão e das ditaduras para evitar a repetição de experiências autoritárias.

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