Brasil

Dez anos depois do golpe contra Dilma, democracia resiste e Brasil se reconstrói

Parlamentares avaliam impactos do processo que afastou a presidenta e destacam resistência democrática diante dos ataques às instituições

Roberto Stuckert Filho

Dez anos depois do golpe contra Dilma, democracia resiste e Brasil se reconstrói

Há dez anos, o Brasil vivia um dos momentos mais graves de sua história democrática. Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para senadores do PT, o processo representou uma ruptura com a vontade popular e deixou marcas que se estenderam pelos anos seguintes, com o aprofundamento da crise institucional e ataques sistemáticos à democracia.

O período posterior ao impeachment foi acompanhado por crescente radicalização política e ataques às instituições, incluindo questionamentos ao sistema eleitoral e ao resultado das eleições.

A escalada culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em uma tentativa de ruptura institucional.

A mensagem que emerge das manifestações dos parlamentares é de vigilância e defesa permanente da democracia.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirma que Dilma foi vítima de uma farsa e destaca a reconstrução do país após o retorno do presidente Lula.

“Há exatos dez anos, o Brasil sofreu um golpe terrível contra sua democracia: o mandato da nossa primeira mulher presidenta, conquistado nas urnas por mais de 54 milhões de votos, foi cassado sem crime que o justificasse. Aquela ruptura democrática abriu o caminho da radicalização e da polarização que vivemos até hoje, passando pela retirada de direitos, pelo ataque ao voto e às instituições e chegando à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023”, lembrou a líder. “Seguiremos firmes, reconstruindo o Brasil e defendendo a democracia, sem esquecer do nosso passado recente para não o repetir”, emendou a senadora.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), o impeachment não atingiu apenas a presidenta, mas também a democracia brasileira. Ele ressalta a trajetória de Dilma, perseguida e torturada durante a ditadura militar, e critica a atuação de parlamentares que, segundo ele, votaram pela cassação por conveniência política.

“Não foi apenas a presidenta Dilma que foi atacada com o impeachment. A própria democracia saiu ferida. Mas o país conseguiu se reerguer com a verdade e a força do povo”, apontou.

Paim afirma que a experiência deve servir de alerta permanente para a defesa do Estado Democrático de Direito. “Passados dez anos, eu sublinho: a democracia deve sempre prevalecer. Esse é o caminho. É a democracia que mantém vivas as cores e a diversidade da nossa nação. Por isso, precisamos estar sempre atentos e vigilantes. Ditadura nunca mais! Democracia, sempre!”, exaltou.

As marcas de 2016

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) considera o impeachment uma injustiça histórica e um grave erro político, cujas consequências ultrapassaram a mudança de governo. Para ele, os acontecimentos posteriores demonstraram os riscos daquele processo.

“O impeachment da presidenta Dilma foi uma injustiça histórica e um grave erro político que deixou marcas na nossa democracia. Os acontecimentos que vieram depois, incluindo a tentativa de golpe contra as instituições e o resultado das urnas, mostraram os riscos daquele processo”, avaliou.

Rogério reforça a necessidade de preservar o voto popular e as instituições democráticas. “Sempre tive uma posição firme em defesa da democracia, do voto popular e do Estado Democrático de Direito. Dez anos depois, a verdade prevalece: a democracia resistiu, e é nossa responsabilidade garantir que isso nunca mais aconteça”, destacou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também avalia que os efeitos do impeachment foram além da saída de Dilma da Presidência. Para ele, o processo abriu caminho para um período de intolerância, violência política e destruição de políticas sociais.

“As palavras de Dilma naquele momento ecoam até hoje para o Brasil, assim como vão ecoar para a história: o golpe não foi cometido apenas contra ela e o nosso partido. O golpe foi contra o povo e contra a Nação, foi misógino e homofóbico. Foi racista e, a partir dele, se impôs uma cultura da intolerância, do preconceito, da violência”, elencou.

Humberto também destaca os retrocessos sociais ocorridos nos anos seguintes. “Hoje, sabemos a verdade da leitura que fez a presidenta sobre o que viria. Foram anos de destruição acelerada do Brasil, de destruição de programas sociais importantíssimos, de devolução do país ao Mapa da Fome”, lembrou.

To top