Plenário

Paim: fim da escala 6×1 pode marcar novo tempo para o trabalho no Brasil

Senador afirma que avanços da inteligência artificial, da robótica e da produtividade devem resultar em mais qualidade de vida

Alessandro Dantas

Paim: fim da escala 6×1 pode marcar novo tempo para o trabalho no Brasil

O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou nesta terça-feira (1º/9), em discurso no Plenário, que o Senado está diante de uma oportunidade histórica para avançar no fim da escala 6×1 e na redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial. A PEC 221/2019 está prevista para ser votada nesta quarta-feira (2/9) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Paim cumprimentou o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), pela decisão de pautar a proposta, e o relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), que apresentou seu relatório e está pronto para a votação. O petista também defendeu que a matéria seja levada ao Plenário no mesmo dia.

“Eu vejo a votação de amanhã com muita esperança, muita esperança mesmo para melhorar a vida do povo brasileiro”, afirmou Paim.

Paim afirmou que a redução da jornada é uma discussão que ultrapassa divisões políticas e está diretamente relacionada às transformações no mundo do trabalho. Segundo ele, inteligência artificial, automação e robótica já são uma realidade e o aumento da produtividade precisa ser convertido em mais qualidade de vida.

“O Brasil não pode estar na contramão do mundo e da história. As novas tecnologias são uma realidade; a inteligência artificial e a robótica vieram para ficar.”

O senador também destacou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda a jornada de 40 horas semanais desde 1935 e defendeu que a redução do tempo de trabalho pode contribuir para mais saúde, menos acidentes, mais empregos e maior produtividade.

Paim classificou o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas como um dos temas mais importantes das últimas décadas no país, comparando sua relevância ao período da Constituinte de 1987-1988. “Eu diria, é o mais importante desde a Constituinte de 1987-1988. Eu estava lá, eu vivi aquele tempo!”, afirmou.

O senador lembrou ainda que sua defesa das 40 horas semanais começou há 57 anos, quando participava do movimento estudantil, e atravessou sua trajetória no movimento sindical, nas centrais de trabalhadores e na Constituinte.

“Menos tempo de trabalho, mais tempo para viver, mais qualidade de vida. Esse é o futuro do trabalho que nós defendemos. E esse futuro começa agora, aqui no Senado Federal.”

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