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“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”: na ONU, Lula defende soberania, combate à fome e transição energética

Senadores petistas repercutiram o pronunciamento, destacando a firmeza do presidente na defesa do interesse nacional e na consolidação do Brasil como liderança global no multilateralismo

Reprodução de TV

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”: na ONU, Lula defende soberania, combate à fome e transição energética

Lula faz discurso enfático pela soberania e contra desigualdades

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou o presidente Lula em discurso que abriu a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A frase é um alerta contra tentativas de ingerência no processo eleitoral brasileiro e deu o tom do pronunciamento baseado na defesa das bandeiras históricas do PT de defesa da soberania nacional, do multilateralismo, do desenvolvimento econômico global som sustentabilidade, respeito às minorais e à democracia.

Lula abriu o discurso com críticas à paralisia das grandes potências e a ineficácia do Conselho de Segurança diante dos conflitos mundiais. Mais do que uma crítica formal, o discurso foi um verdadeiro manifesto em defesa da paz, do desenvolvimento sustentável e da autodeterminação dos povos.

Ao longo do pronunciamento, o presidente detalhou os eixos defendidos pelo Brasil e que fazem parte do projeto nacional abraçado pelo Partido dos Trabalhadores.

Combate à fome e justiça social

Lula enfatizou que a pobreza e a desigualdade resultam de decisões políticas e defendeu a inclusão e a distribuição de renda como prioridades globais. Para o presidente, a justiça social depende de medidas concretas de arrecadação e investimento público: “É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte”.

Direitos do trabalhador e escala 6×1

Ao conectar os grandes temas globais às demandas do cotidiano brasileiro, o presidente mencionou a necessidade de reestruturar as jornadas de trabalho para garantir tempo de descanso e convivência social: “O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família.  No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres”.

Desenvolvimento econômico e sustentabilidade

O discurso reafirmou que a preservação ambiental e a transição energética devem caminhar junto com a geração de emprego e tecnologia no Brasil. Sobre os recursos naturais e minerais estratégicos, o presidente declarou: “Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território”.

Segurança pública e proteção das mulheres

Ao tratar da segurança pública, o presidente rejeitou propostas de intervenção externa e defendeu o fortalecimento da cooperação internacional contra o crime organizado. Ele também apontou o combate à violência de gênero como meta central do Estado: “Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder, um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência”.  

Defesa da democracia e soberania nacional

Tratando das pressões internacionais e da desinformação, Lula reafirmou a lisura do processo eleitoral e a autonomia do país diante de potências estrangeiras e grandes corporações de tecnologia: “Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”.

Bancada petista

A fala do presidente foi elogiada pelos senadores do Partido dos Trabalhadores, que ressaltaram a convergência entre a pauta apresentada na ONU e a atuação legislativa no Senado Federal.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) observou que a intervenção “reafirma a voz de um estadista respeitado internacionalmente”, destacando que foi uma “fala altiva e necessária, em defesa da democracia, da paz, da soberania e de um multilateralismo mais justo”.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apontou a relação do discurso com os mandatos da bancada: “O que o presidente Lula reafirmou hoje na ONU está em plena sintonia com o que tem sido o norte dos nossos mandatos: colocar as pessoas no centro das decisões. Isso significa defender justiça social, inclusão, geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico com responsabilidade social e sustentabilidade ambiental”.

O senador Paulo Paim (PT-RS) classificou o pronunciamento como “histórico e corajoso”, afirmando que “Lula falou ao mundo com a autoridade de quem defende a soberania nacional, a democracia e o direito dos povos de decidirem seu próprio destino”.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), a declaração sobre os recursos naturais do país e o processo eleitoral reforça a autonomia brasileira: “Foi uma fala de um estadista, ao tempo em que reafirmou a soberania do Brasil. Nossos minerais críticos, nossas terras raras, nossas riquezas naturais são nossos e serão usados em favor do povo brasileiro. E nossas eleições, que estão às vésperas, limpas e transparentes, não aceitarão interferência externa, seja por parte de Estados estrangeiros, seja por parte de tecno-oligarcas”.

A senadora Eliziane Gama (PT-MA) disse que o pronunciamento é uma síntese da luta por desenvolvimento com justiça social. “Quando ele fala em ‘colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda’, a gente está falando de decência e de pacto civilizatório. Não dá mais para aceitar que quem ganha mais pague proporcionalmente menos, enquanto o trabalhador carrega o país nas costas. A verdadeira mudança que o mundo anseia não é esse retrocesso conservador que tenta ressuscitar preconceitos, submeter as mulheres ou recolonizar o Sul global.”

Já o senador Jaques Wagner (PT-BA) pontuou a repercussão da declaração do presidente no cenário internacional, observando que a frase “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” marcou a posição do país diante dos líderes globais.

A tradição do discurso de abertura

A atuação do Brasil como primeiro país a discursar na Assembleia Geral é uma tradição iniciada em 1947, quando o diplomata Oswaldo Aranha presidiu a Primeira Sessão Especial do órgão. Diante dos impasses diplomáticos da época entre as grandes potências, consolidou-se a prática de conceder ao representante brasileiro a abertura dos debates gerais da ONU.

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