Agência Senado

O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu nesta terça-feira (16/6) a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição salarial e o fim da escala 6×1. Segundo ele, a medida não representa apenas um avanço nos direitos trabalhistas, mas também pode contribuir para o fortalecimento da Previdência Social, a geração de empregos formais e a melhoria das condições de saúde dos trabalhadores.
Paim afirmou que as discussões sobre jornada de trabalho, emprego e Previdência não podem ser tratadas separadamente. Para o senador, os temas estão diretamente conectados e devem fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento econômico associada à valorização do trabalho e à proteção social.
“Na Constituinte, travamos uma grande batalha para reduzir a jornada de 48 para 44 horas semanais. Não foi uma conquista simples, houve forte resistência, mas compreendíamos que o progresso só tem sentido quando melhora a vida das pessoas”, lembrou.
O senador observou que o Brasil conta atualmente com mais de 100 milhões de pessoas ocupadas e destacou a existência de milhões de trabalhadores na informalidade. Para ele, a redução da jornada pode favorecer a distribuição do trabalho, estimular novas contratações e ampliar a formalização do emprego.
Estimativas elaboradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), segundo as quais a redução da jornada para 40 horas semanais poderia gerar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho e elevar a produtividade em cerca de 4%.
“Mais empregos formais significam mais contribuintes para a Previdência. Mais contribuintes significam maior arrecadação previdenciária e mais segurança para aposentados, pensionistas e futuros beneficiários”, declarou.
Saúde do trabalhador
O senador também destacou, durante seu pronunciamento, os impactos das jornadas extensas sobre a saúde física e mental dos trabalhadores. Segundo ele, o aumento dos afastamentos por transtornos mentais demonstra a necessidade de discutir novas formas de organização do trabalho.
Paim citou dados do Ministério da Previdência Social segundo os quais mais de 546 mil trabalhadores foram afastados de suas atividades em 2025 por transtornos mentais e comportamentais. O número representa um crescimento de quase 16% em relação ao ano anterior.
“Quando garantimos mais tempo para descanso, convivência familiar, lazer, estudo e qualificação profissional, estamos investindo na saúde das pessoas”, afirmou. “Defender a jornada de 40 horas e o fim da escala 6×1 é também defender a Previdência Social pública. Estamos falando de uma política econômica e também de saúde pública”, concluiu.



